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quarta-feira, 16 novembro 2016

Fundo Newton é iniciativa do UK no Brasil, que financia colaborações em formatos diversos, entre pesquisadores dos dois países

Quarenta e cinco milhões de libras esterlinas no Brasil, de 2014 a 2019, destinados a programas de mobilidade, pesquisa e capacitação. Este é o Newton Fund (Fundo Newton), cujos principais beneficiários em nosso país têm sido pesquisadores acadêmicos, e que precisa ser urgentemente melhor divulgado, entre os ditos beneficiários e seus pares.

Porque ele existe e está funcionando, mas, a julgar por 2016, o número de propostas apresentadas ainda está muito aquém da oferta de recursos (através de chamadas públicas com perfis de execução diversificados).  Ou isso, ou as propostas que chegam a ser apresentadas não se enquadram nos aspectos formais exigidos pelas chamadas.

Em qualquer um dos dois casos, se trata mais de uma questão de haver informação disponível sobre as oportunidades e tempo hábil de planejamento para os pesquisadores brasileiros elegíveis e interessados em concorrer ao financiamento em libras e participar de colaborações internacionais especificamente britânicas, realizadas em nosso país.

No momento, não há chamadas abertas, mas o Nossa Ciência está avisando desde agora: A previsão de novos calls é abril de 2017. Quase um semestre de antecedência. Disponham 😉

Mais especificamente, chamadas globais devem acontecer sempre em abril e julho, com resultados em agosto e outubro.

Intersecções

Camila Almeida, gerente de Projetos de Educação do Newton Fund pelo British Council,  observou recentemente que não há um problema de mérito científico nas propostas apresentadas pelos brasileiros.  E nem com a língua: embora as submissões devam ser feitas em inglês, ela explica que um nível mediano de compreensão já torna as colaborações com os britânicos possíveis, se uma real interação científica estiver acontecendo.

E caso ainda pareça muito difícil encontrar parceiros de pesquisa britânicos, também já existem pelo menos duas ferramentas from UK para resolver isso: A plataforma Piirus, que calcula “compatibilidades” baseadas nas informações que você fornece sobre seu perfil acadêmico (matching!) e o website da Univeristies UK Internacional (UUKI): Lá você encontra uma página dedicada ao Newton Fund, onde pesquisadores do Brasil e mais 15 países podem preencher um “Partner Request Form”, ou seja, um formulário de solicitação de colaborador para pesquisa.

Um documento muito similar na seção “Student Suppor Service” também atende às chamadas para mobilidade internacional. Ou seja, eventualmente o Newton Fund abre oportunidades para brasileiros interessados em encontrar um lugar no Reino Unido para realizar o estágio pós-doutoral (PhD) ou conseguir uma bolsa integral (full scholarship) para o mesmo.

“Expliquem aos pesquisadores que não é impossível”, aconselha Camila Almeida.  “Nossos temas são ótimos, mas existem um monte de temas dos outros países, então a gente tem que dar um jeito de se destacar, de deixar as propostas dos pesquisadores brasileiros interessantes para os britânicos”, considera a gerente.

A Inglaterra é o 3º país em número de colaborações internacionais, em índice da Revista Nature, de 2015.

Uma breve análise de conjuntura

Iniciativas de internacionalização da pesquisa no Brasil são #tendência a partir do ano que vêm.

A continuada escassez de recursos do governo federal para Ciência, Tecnologia e Inovação é apenas o básico. Também é preciso considerar que as universidades públicas e seus programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) podem ter suas vagas e disponibilidade em geral diminuídas, rareando oportunidades e acirrando concorrências.

Além disso, o novo presidente do Conselho Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Mário Neto Borges, já deixou bem claro que “internacionalizar” é um dos três pilares de sua gestão.

Soa oficial o suficiente? Então, keep calm & carry on!

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