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quarta-feira, 30 novembro 2016

Como conseguir espaço para CT&I em veículos de comunicação tradicionais e digitais? Alagoas aposta em prêmio de jornalismo

Maceió, 27 de novembro. Às 8h30 de uma manhã de sábado, no escurinho aconchegante de um cinema no shopping… acontece uma capacitação em jornalismo, voltada especificamente à ciência, tecnologia e inovação.

A ocasião foi planejada para servir de estímulo aos interessados no Prêmio de Jornalismo Científico José Marques de Melo, e ficou a cargo de três palestrantes, com notórias credenciais teóricas e práticas.

Ao longo da semana, a ideia ganhou 125 inscritos, e boa parte desse público esperado de fato acordou cedo e estava lá: eram profissionais e estudantes interessados em concorrer, pesquisadores do tema e algumas assessorias já atuantes em CT&I e educação:

“Vim para ter noção do que se pode produzir. Geralmente a gente acha que essa área é mais ligada à informática e tecnologias da comunicação, mas têm outras coisas que podemos buscar no lado da ciência”, comenta Lucas França, repórter do jornal impresso Tribuna Independente, e interessado em concorrer.

A primeira boa notícia do Premio José Marques de Melo para a divulgação científica em Alagoas é que os jornalistas das editorias comuns já estão de mente aberta para encarar a diversidade da área proposta.

Mas nem todos têm o mesmo objetivo, e sintomático mesmo é aquele público inesperado, que, a propósito, também compareceu. Um exemplo foi Otávio Monteiro, filósofo e mestre em Literatura. Ele consome notícias sobre CT&I em sites específicos do tema, nos quais reconheça algum grau de idoneidade ou representatividade:

“Às vezes, eu tenho a impressão que as pessoas estão iludidas sobre ter o domínio de uma rede social pessoal, como se isso significasse estar exercendo alguma influência ou um papel muito ativo. Essa chamada militância digital tem que ir muito além, porque o que atinge e influencia o publico é uma mídia que é extremamente comprometida com interesses”.

Como ele, alguns outros participantes também disseram claramente que estavam lá mais pela oportunidade de “capacitação” do que pela perspectiva do prêmio.

A segunda boa notícia do Premio José Marques de Melo para a divulgação científica em Alagoas é que, além de gente querendo concorrer, também tem gente querendo se educar.

Mel Rodrigues é doutora em linguística e assessora de comunicação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), além de docente no mesmo Departamento de Comunicação Social onde se formou em Jornalismo. Ela preferiu considerar a oportunidade enquanto educadora:

“Meu objeto de estudo são produtos comunicacionais, em análise do discurso. Aqui, a gente se ressente da falta de oportunidade como essas. Um evento desta magnitude vai me dar subsídios para incentivar meus alunos e bolsistas e os estagiários e jornalistas que trabalham comigo para fazer um jornalismo científico com uma base mais substancial”.

E na hora das perguntas da plateia?

Neste momento, todos os comunicadores presentes descobriram que “eles”, “o outro lado”, a classe científica mencionada durante todo tempo “à distância”, estava lá também, compartilhando o momento conosco, na pessoa de três jovens pesquisadores, em iniciação científica num laboratório de Biologia:

“Eu curti bastante. O laboratório de que eu faço parte trabalha justamente com essa questão da divulgação científica e de adaptar a linguagem ao público geral, porque a gente tem a ideia de que a ciência é um produto social, que a gente deve levar de volta para a sociedade. Eu queria saber de vocês o que seria necessário para facilitar uma comunicação interdisciplinar entre cientistas e jornalistas”?

Essa foi a questão de Arthur Filipe da Silva, graduando em Ciências Biológicas e pesquisador do Laboratório de Ecologia Quantitativa (LEQ – UFAL). No fim da breve conversa que tivemos, ele teve a atenção de checar: “Eu respondi as suas perguntas”?

Então, a terceira boa notícia do Prêmio José Marques de Melo para a divulgação científica em Alagoas é que – a julgar pelo LEQ – além de gente querendo se educar, “o lado não jornalista” da história parece estar enxergado as mesmas necessidades e compartilhando conosco um objetivo em comum, não apenas como fontes em potencial, mas como atores conscientes de seu papel fundamental na situação.

Inspirando

As palestras ficaram a cargo de Sandra Nunes Leites, doutora em Ciências da Comunicação; Rossana Gaia, jornalista e doutora em Letras e Linguística e Pedro Barros, jornalista e divulgador científico (desde a graduação).

Organização

O Prêmio de Jornalismo Científico José Marques de Melo é uma iniciativa da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Alagoas (Secti), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (SindJornal). A realização conta com recursos do Governo estadual e patrocínio do Maceió Shopping.

À frente da organização do prêmio e seus eventos correlatos – o próximo será uma oficina – estão Adélia Félix, gerente de desenvolvimento científico da Secti AL e Shirley Nascimento, jornalista e gestora especializada em ciência e tecnologia da Fapeal, que também foi a debatedora da ocasião.

O prêmio tem suas inscrições abertas até maio de 2017.

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