Um reino por um planeta

sexta-feira, 6 outubro 2017
Foto: Nasa

Na coluna HojeÉDiadeCiência, José Roberto fala da origem do planeta Urano, que já se chamou Estrela de Jorge, em homenagem ao rei da Inglaterra Jorge III

William Herschel foi um dos mais famosos astrônomos britânicos e em 1781 descobriu Jorge, o sétimo planeta do Sistema Solar.

Jorge? Que planeta é esse? É que Herschel havia dedicado sua descoberta ao soberano da Inglaterra em sua época, o rei Jorge III. É claro que muitas outras nações protestaram contra essa decisão. Mesmo assim, durante muito tempo esse novo astro foi chamado de Georgium Sidus ou, simplesmente, a Estrela de Jorge.

Quase setenta anos mais tarde, por volta de 1850, a comunidade científica finalmente batizou mais acertadamente o sétimo planeta. Ele seria chamado Urano, e dessa forma o Sistema Solar refletiria a ordem genealógica sugerida na mitologia greco-romana. Pois Urano é pai de Saturno e avô de Júpiter.

Previsão matemática

Nos anos seguintes à descoberta, e por meio de telescópios ainda mais poderosos, Herschel descobriu dois satélites de Urano. Em 1851 outro astrônomo inglês de nome William Lassel encontrou mais outras duas luas.

O filho de Herschel propôs os nomes Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon aos primeiros satélites naturais cujas denominações não vêm da mitologia greco-romana, sendo, na verdade, personagens da literatura inglesa.

Ao investigar o planeta Urano, John Couch Adams, imaginou que os desvios encontrados em seu movimento orbital poderiam ser causados pela presença de outro planeta até então desconhecido.

O francês Urbain Le Verrier também se interessou pelo problema, mas não teve respaldo do governo francês para iniciar suas observações e enviou seus cálculos para o Observatório de Berlim. E foi lá que o planeta Netuno foi encontrado em 1846.

Hoje, Adams e Le Verrier dividem os créditos de terem previsto a existência de um planeta antes mesmo de sua observação direta.

Gigante distante

O planeta Urano tem quatro vezes o diâmetro da Terra e está a quase três bilhões de quilômetros do Sol (a Terra fica a 150 milhões de quilômetros do astro-rei, em média).

Não é muito fácil observá-lo com um telescópio, pois não o vemos a olho nu. E mesmo após encontrá-lo, será preciso um instrumento de excelente qualidade para perceber algum detalhe, como a sua cor esverdeada. Passam 84 anos na Terra enquanto Urano completa apenas uma volta em torno do Sol.

Uma particularidade marcante de Urano é a inclinação do seu eixo de rotação. Os globos terrestres que vemos à venda nas papelarias não estão inclinados à-toa. A Terra, de fato, gira em torno do Sol inclinada cerca de 23o.

Mas Urano exagerou: é tão inclinado que é como se rolasse no espaço, com seu eixo de rotação quase paralelo ao plano de sua órbita. A inclinação do eixo é responsável pelas estações do ano. No caso de Urano, seus pólos se aquecem mais que as regiões equatoriais!

Não é possível enviar uma nave espacial para pousar em Urano, simplesmente porque não há uma superfície sólida para pisar. Talvez haja um núcleo rochoso, mas em volta dele há um manto com 10 mil quilômetros de espessura, formado por água, amoníaco e metano congelado. E ainda por cima de tudo isso há nuvens de metano carregadas por ventos de até 300 km/h.

Em 1977 descobriu-se quase por acaso um sistema de anéis em volta de Urano, depois confirmados pelas sondas Voyager. Não são tão belos e brilhantes quantos os de Saturno, mas em seu interior foram encontrados nada menos que 18 satélites, chamados “pastores”, que governam as órbitas dos anéis mais finos.

No total, Urano tem mais de 20 luas, além dos anéis! Nada mal para um planeta que um dia ousaram chamar pelo nome de um simples monarca da Terra.

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Se você ainda não leu a coluna da semana passada, leia agora.

José Roberto Costa

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