2018: perspectivas para a ciência (8) Especial

quarta-feira, 24 janeiro 2018

Quais são os desejos da comunidade científica para o Ano Novo? Confira mais respostas da nossa enquete

O ano de 2017 chegou ao fim e certamente para a ciência e tecnologia no Brasil esse período ficará marcado pelos cortes, contingenciamento e tantas outras complicações políticas e econômicas. Virando a página, começa a surgir no horizonte 2018. O que esperar do ano novo? Nossa Ciência ouviu pesquisadores e outros profissionais da área sobre as perspectivas para o país e também para o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro em diferentes áreas.

Jorge Guimarães – presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial –  Embrapii

O país que decide que durante 20 anos vai congelar educação e ciência não tem futuro. Esse é o nosso dilema. Se disséssemos que nós não vamos mais fazer campos de futebol por 80 anos, eu estaria de acordo, mas parar educação e ciência é matar o futuro do país. Essa é uma discussão essencial para o desenvolvimento de qualquer país: educação, ciência e tecnologia. Isso não pode ser tratado como se trata, por exemplo, a questão da CBF. Eu vejo como muito preocupante o fato de que, com toda a crise, sobretudo para educação, saúde, ciência e tecnologia, ninguém toca nos juros bancários. Ninguém fala como se discute, rediscute a questão da crise brasileira financeira e 47% dessa crise que nós temos é pagamento de juros a banco privado.

Eu espero que 2019, o governo que venha cancele esse ponto ou selecione, porque há acordos que dá para fazer, mas genérico como foi feito é um absurdo. Mas isso tem outras raízes: na última eleição, 144 milhões de pessoas estavam habilitadas a votar, e dessas apenas 8,6% tem nível superior. Então, quando é que nós vamos mudar esse congresso? Os desafios do país não são pequenos, mas eu espero que em 2018 o Brasil saiba escolher pessoas capazes de nos ajudar a partir de 2019 excluir qualquer tentativa de segurar o futuro do país, de matar o futuro do país.

 

Ricardo Ojima – Doutor em Demografia, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UFRN, Presidente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP).

O ano de 2018 se inicia com grandes dúvidas em relação à política científica e tecnológica. É certo que em um país com grandes prioridades urgentes, precisamos pensar na ordem dessas prioridades. Mas ciência e tecnologia é um investimento de médio e longo prazo. Sem esse investimento, muitas oportunidades para enfrentar outras prioridades podem ser perdidas.

Se é para ter um desejo, espero que em 2018 o poder público valorize a importância das Universidades nesse cenário, pois mais do que ensinar, também fazemos pesquisa e extensão. O retorno social que buscamos fazer aqui vai muito além de formar recursos humanos qualificados, mas refletir e inovar em novas formas de enfrentar a realidade e os desafios sociais que nos cercam através da pesquisa.

 

Luciane de Souza  – Biomedica pela UFG, Mestrado e Doutorado pela UNIFESP e pesquisadora DCR pela UFAL

O ano que está começando indica um novo ciclo que se inicia. Novas metas e sonhos devem ser definidos para que possamos trabalhar por eles. Mas para alcançarmos nossos objetivos temos que verificar o material que utilizaremos na construção deles. Em um país onde gradativamente a ciência e a educação têm sido menosprezados pelos governantes, obscurece a visão dos pesquisadores que outrora foram idealistas. Queremos líderes que sejam visionários honestos e que trabalhem arduamente para que o país cresça com o potencial que ele possui. Somente assim, veremos nossa pátria amada se desenvolver tecnologicamente e se destacar pelo ensino de qualidade.

Este é o meu principal desejo para este ano de 2018, ver pessoas honestas trabalhando com incentivo e sem grandes impedimentos, para que finalmente possamos florescer como uma nação moral e digna.

Mônica Costa e Edna Ferreira

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