Homens pobres e com pouco estudo perdem mais dentes

quinta-feira, 17 agosto 2017

Estudo da Fiocruz-PE apontou que o medo de ir ao dentista é uma das razões da perda dentária no Recife

Homens com 35 anos ou mais, renda mensal de até R$ 250,00 e com, no máximo, dez anos de estudos são os mais vulneráveis à perda de dentes, segundo estudo desenvolvido no Recife. O medo de ir ao dentista é uma das razões da perda dentária na cidade. “O paciente deixa de tratar a doença no estágio inicial e só chega ao dentista quando realmente há a necessidade de extração dentária. Quem tem medo de dentista tem 50% mais chance de perda dentária do que aquele que não tem”, afirma o pesquisador da Fiocruz Pernambuco Rafael Moreira.

Ele orientou o estudo: Fatores associados à perda dentária em adultos em uma capital do Nordeste no Brasil: Estudo de caso-controle, desenvolvido pela dentista Flávia Tavares no mestrado em saúde pública da Fiocruz PE. Foram entrevistadas 984 pessoas em 31 unidades de saúde dos sete distritos sanitários do Recife. Dessas, 322 foram ao posto para retirar algum dente (caso). As demais fizeram outro procedimento (controle).

Condição cultural

A pesquisa calculou as chances de perda dentária com relação a fatores socioeconômicos e demográficos. Constatou, por exemplo, que pessoas com renda familiar igual ou inferior a R$ 250,00 têm três vezes mais chances de perderem dentes. Para as pessoas do sexo masculino que não concluíram o ensino médio as chances são quase duas vezes maiores. “O fato dos homens perderem mais dentes que as mulheres, pode ser reflexo de uma condição cultural, uma vez que, habitualmente, elas cuidam mais da saúde. Já as demais causas da perda dentária estão relacionadas a falta de estrutura. Mostra que ter ou não dente reflete suas condições sociais”, analisa o pesquisador.

A ausência de dente é motivo de insatisfação com a saúde bucal entre pessoas na capital pernambucana, de acordo com o estudo. Dos entrevistados que possuem a dentição incompleta 40% se disseram insatisfeitos ou muito insatisfeitos com a saúde da boca ou dentes. Eles relataram dificuldades para comer (38,5%), na fala (42,7%), de convívio social (38,8%), para dormir (40%) e mudança de humor por causa de problemas bucais (37,7%). Dentre esse grupo (caso), a maioria acredita ter a necessidade de extrair dente (tendo quase cinco vezes mais chances de perda) e de uma prótese total inferior ou superior. 

Visita ao dentista

Também houve quem relatasse a necessidade de prótese para substituir um ou mais dentes. “Isso reflete o passado cumulativo de doenças bucais. Da falta de cuidado por parte das políticas públicas herdada por uma camada da população”, observa Moreira. Prova disso, é o fato de que o principal motivo da última consulta com o dentista ter sido a extração (46,2%).

Outro estudo coordenado por Rafael Moreira identificou uma concordância de quase 80% entre pacientes e dentistas sobre a necessidade de retirar dente, no Recife, evidenciando a capacidade do paciente conseguir perceber/identificar a sua real necessidade de intervenção bucal. Entre os pacientes do grupo controle, as principais razões da última consulta foram revisão, prevenção e check-up (74,6%) e tratamento (70,1%).

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