Primeiro transplante cardíaco realizado no Ceará completa 24 anos Saúde

segunda-feira, 20 novembro 2017
Group of surgeons working in operating theatre

Cirurgia pioneira abriu caminho para estudos sobre transplantes de órgãos no estado

O plantão de carnaval de 1993 no Hospital Antônio Prudente, credenciado ao Sistema Único de Saúde (SUS), em Fortaleza, tornou-se histórico quando uma equipe de médicos, coordenada pelo professor José Glauco Lobo Filho, da Universidade Federal do Ceará (UFC), realizou o primeiro transplante de coração no estado.

Em 20 de fevereiro, surgiu um doador de 17 anos, vítima de morte acidental, compatível com o receptor João Batista de Oliveira, de 24 anos, que sofria de miocardiopatia dilatada idiopática terminal. O paciente desse primeiro transplante, que tinha vindo de Pernambuco graças à rede Nordeste Transplante, sobreviveu por três meses. Ele foi vítima de arritmia cardíaca desencadeada após uma crise aguda de rejeição.

Em maio do mesmo ano, foi realizado o segundo transplante. O paciente, o taxista cearense Afonso Celso Oliveira de Albuquerque, era do Hospital de Messejana e foi transferido para o Antônio Prudente. “Ele teve uma sobrevida de quase 10 anos anos”, relembra o professor Glauco Lobo.

Rede Nordeste Transplante

Nos dois procedimentos, a UFC teve papel essencial, como informa o professor Glauco Lobo. Entre as contribuições da Universidade, ele cita os estudos sobre transplantes de órgãos, a utilização do então único laboratório de imunocompatibilidade do Ceará e a participação de professores da Faculdade de Medicina na equipe médica que realizou os primeiros transplantes cardíacos no Estado.

Na revista Ceará Médico – volume VI, número 5, páginas 49 e 50, de junho de 1993 –, estão relacionados os nomes dos integrantes da equipe do primeiro transplante. Encabeçando a lista dos cirurgiões cardíacos estão José Glauco Lobo Filho, que liderou o grupo, e João Martins de Souza Torres, hoje professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFC, além de Francisco Martins de Oliveira, Haroldo Brasil, José Maria Furtado Memória, os três do Hospital de Messejana, e Ricardo Lagreca, oriundo do Rio Grande do Norte – estado que, como o Ceará, integrava a rede denominada Nordeste Transplante, para troca de experiências e apoio, da qual faziam parte ainda os estados de Alagoas, Sergipe e Pernambuco.

Completaram a equipe os cardiologistas João David de Souza Neto e Roberto Alecrim, a perfusionista Tereza Cristina Juaçaba e os anestesiologistas Maria de Fátima Sales, Fernando Lima Verde e Glauco Kleming. No artigo “Cirurgia cardíaca no Ceará – breves considerações históricas”, publicado na Revista Cearense de Cardiologia, o Prof. João Martins de Souza Torres relembra a história dos primeiros transplantes cardíacos no Ceará.

Transplante de conhecimento

Para o Prof. Glauco Lobo, a história de transplantes de órgãos no Estado passa, “obrigatoriamente”, pelo Prof. Henry de Holanda Campos, atual reitor da UFC, que já foi conselheiro e ocupou a vice-presidência da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. “O Henry participou do início do transplante renal no Ceará e foi ele quem implantou o laboratório de imunocompatibilidade no Estado. Isso foi um marco importantíssimo para o transplante de órgãos no Ceará”, diz.

O Prof. João Martins também afirma que “o primeiro transplante de coração no Ceará teve a UFC na base, e tudo isso veio de uma cadeia de boas ocorrências”, declara. Como parte disso, ele menciona que a tese de doutorado do Prof. Henry, envolvendo estudos sobre a ciclosporina – droga que inibe reações imunológicas e, assim, o risco de rejeição de órgãos transplantados –, embora tenha sido voltada para cirurgia de rim, deu base para a de transplante cardíaco, “porque os testes são semelhantes e os critérios de rejeição também”.

“Ficamos embevecidos com os transplantes de órgãos”, observa João Martins. Porém o mais importante nesse processo, que une esforços de tantas pessoas e instituições, tem sido, segundo ele, o “transplante de conhecimento”. “No transplante de conhecimento não há rejeição. O doador continua vivo e o receptor também”.  Para ele, a Universidade foi sábia e tem sido sábia até hoje: começou com transplantes de rim, participou dos de coração e só depois realizou os de fígado, na visão dele, os mais complexos.

Transplantes cardíacos hoje

No artigo “Cirurgia cardíaca no Ceará – breves considerações históricas”, o Prof. João Martins relata que após o segundo transplante cardíaco houve uma pausa e somente em 1997, também no Hospital Antônio Prudente, outra equipe, ligada ao Hospital de Messejana, deu prosseguimento ao programa, efetuando sete transplantes cardíacos. Acrescenta que, “a partir de janeiro de 1999, os transplantes cardíacos passaram a ser feitos tão somente no Hospital de Messejana”.

Artigo “Cirurgia cardíaca no Ceará – breves considerações históricas”, publicado na Revista Cearense de Cardiologia, da seção local da Sociedade Brasileira de Cardiologia (volume 13, número 1, de agosto de 2012).

Redação com informações da Ascom/UFC

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