Saúde rural em pauta Saúde

quinta-feira, 31 maio 2018

Para professora Magda Almeida, da UFC, o atendimento das populações do campo passa por políticas que organizem o sistema de saúde e por mudanças na regulação das profissões da área

Colocar a Saúde rural na pauta dentro das políticas públicas. Esse é um dos objetivos da professora Magda Almeida, do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC) que faz parte do Grupo de Trabalho (GT) de Medicina Rural da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). Nos últimos anos esse grupo tem discutido inúmeros temas referentes à Saúde Rural e produzido bastante material sobre as especificidades brasileiras.

De acordo com a professora, o Brasil vem mostrando seu protagonismo em busca de um sistema de saúde mais equânime. No entanto, ainda segundo ela, é preciso agora traçar estratégias para provocar mudanças dentro do nosso país e da América Latina.

“No caso das populações do campo, das florestas e das águas precisamos de políticas que reconheçam as especificidades deste grupo, e que organizem o sistema de saúde de acordo com elas. É necessário também um projeto sério e comprometido em relação à formação dos recursos humanos para a saúde que vá para além do provimento emergencial. É preciso pensar em mudanças na graduação e pós-graduação do país, com direcionamento da formação para as necessidades de saúde da população. É preciso o entendimento que o profissional que vai para áreas rurais e remotas precisa ser bem treinado para alcançar uma boa resolutividade com poucos recursos. Precisa-se de incentivos diferenciados para a carreira daqueles que escolhem esse caminho, que atualmente é visto como uma punição. Precisamos de uma mudança profunda e importante na regulação das profissões da saúde”, argumenta.

Reprodução da imagem de abertura do vídeo premiado em Nova Déli.

Vídeo premiado

Nesse caminho, o vídeo Por que saúde rural é diferente da urbana? apresentado pela delegação brasileira na 15ª Conferência Mundial de Saúde Rural – ocorrida de 26 a 29 de abril em Nova Déli, na Índia, e que contou com a curadoria da professora Magda, foi o vencedor na categoria Melhor Animação nas premiações do evento. O trabalho foi realizado em parceria com a SBMFC.

“Ser premiado nesse evento é um reconhecimento da qualidade do projeto e do potencial de alcance do mesmo. É a legitimação da qualidade do excelente trabalho que o grupo brasileiro vem fazendo para que a Saúde Rural seja colocada em pauta dentro das políticas públicas. Já temos o reconhecimento externo, agora falta fazermos o milagre dentro de casa. Precisamos que os gestores, legisladores e instituições de ensino nacionais estejam sensíveis para apoiar medidas que melhorem a qualidade de vida da população. A visibilidade que o prêmio nos trouxe, pode nos ajudar nesse processo”, ressalta.

De acordo com Magda Almeida, desde 2011, a SBMFC possui um Grupo de Trabalho (GT) de Medicina Rural, e que nos últimos anos tem discutido inúmeros temas referentes à Saúde Rural e produzido bastante material sobre as especificidades brasileiras. A professora faz parte desse GT e conta que a ideia do vídeo surgiu a partir de uma parceria entre a SBMFC e o coletivo Rural Seeds, organizado por um grupo de estudantes.

“Entre vários projetos, dentro da parceria com a SBMFC, um foi para o desenvolvimento de animações que abordassem temas relacionados à saúde rural, como forma de sensibilizar profissionais e público leigo para a importância de debater sobre o tema. O vídeo Por que a saúde rural é diferente da urbana? foi uma das primeiras animações produzidas pelo Rural Seeds em parceria com a SBMFC”, explica Magda.

A professora Magda Almeida, que é médica de Família e Comunidade e vice-presidente da Associação Cearense de Medicina de Família considera a conferência o maior evento internacional sobre o tema, com a presença dos principais nomes de ensino e pesquisa de Saúde Rural.

Vídeo explica de forma simples as particularidades das populações rurais.

Particularidades

O vídeo tem três minutos e explica de forma simples as particularidades dos cuidados médicos necessários para com as populações do campo, como ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores rurais, pescadores, marisqueiras, entre outras. Destaca ainda o déficit de profissionais de saúde nesse ambiente trazendo o exemplo do Estado do Amazonas: enquanto na zona urbana de Manaus há 1 médico para cada 574 habitantes, no interior do Estado há 1 médico para cada 8.944 habitantes.

As informações usadas no vídeo são de documentos e estudos, internacionais e nacionais, referentes à saúde rural. Alguns dados são provenientes da Organização Mundial da Saúde, outros vieram da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 e dos estudos de Demografia Médica do Conselho Federal de Medicina. Mas, segunda a professora, já existe um bom aporte de discussões sobre o tema, que infelizmente é invisibilizado.

Próximos passos

A professora da UFC revela que a Diretoria de Medicina Rural da SBMFC vem trabalhando para o reconhecimento da Saúde Rural como área de atuação da medicina, para que assim, possa ser realizada residência médica específica para o treinamento em áreas rurais e remotas. “O Coletivo Rural Seeds possui inúmeros outros projetos como Rural Café e o Mentor Mentee, que são programas que pretendem reduzir o isolamento dos profissionais que atuam ou que querem atuar em áreas rurais. Este ano será publicado, o livro “Saúde a Caminho da Roça”, que ganhamos na concorrência de um edital da Fiocruz, e abrange toda a trajetória e produção acumulada do GT sobre o tema”, conta Magda Almeida.

O vídeo está disponível no Youtube.

Edna Ferreira

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