Segurança nos campi é tema de debate na Universidade Federal de Alagoas Geral

quinta-feira, 22 março 2018
Gestão da UFAL pondera que não há proibição de que a Polícia Militar circule na universidade. Foto: Divulgação UFAL

Em sessão extraordinária, Conselho Universitário discute Plano de ações apresentado pelos gestores 

Diante dos assaltos ocorridos ao longo das últimas semanas no Campus da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a reitora, Valéria Correia, convocou a sessão extraordinária do Conselho Universitário (Consuni) para apresentar as ações emergenciais e de prazo imediato tomadas pela gestão e ouvir as propostas da comunidade acadêmica. Além dos conselheiros, estudantes, professores, técnicos e pesquisadores na área do direito e da segurança pública participaram do debate, na segunda (19).

Dentre as medidas emergenciais, que cabem à gestão da UFAL, estão o reforço da iluminação com instalação novos refletores em um prazo de até 90 dias, a relocação imediata de postos fixos de vigilância, a intensificação da ronda motorizada, a criação de campanhas de orientação sobre como acionar os serviços de segurança da universidade, a recomposição dos muros laterais e a capinagem no entorno dos blocos e ao longo dos muros. Além disso, a reitora informou sobre as ações pactuadas com a Secretária de Segurança Pública e do Comando da Polícia Militar, como a garantia da intensificação das rondas no entorno do campus e o reforço do policiamento nos portões de acesso, por parte do Batalhão da Polícia de Guarda (BPGd).

Equipamentos eletrônicos

Reitora pontua que UFAL precisa garantir de forma estrutural uma política de segurança para seus campi. Foto: Divulgação UFAL

Outro ponto apresentado, foi a mudança do parque de equipamentos eletrônicos de segurança. Câmeras novas e mais modernas foram adquiridas pela gestão, reforçando o monitoramento no campus A.C. Simões e contemplando os campi Arapiraca e do Sertão, que anteriormente não possuía a tecnologia. “Essa medida evidencia nossa preocupação em desenvolver políticas de forma integrada nos três campi e, não poderia deixar de ser deferente na questão da segurança. O campus do Sertão passará a contar com câmeras, também, todavia é importante destacar que precisamos dar um salto de qualidade: sairmos de ações pontuais para garantir, de forma estrutural, uma política de segurança para UFAL em seus três campi. Tal política deve traçar diretrizes que relacionem os aspectos técnicos da segurança às atividades fins da universidade” destacou a reitora.

Ainda foram destacada algumas ações que vêm sendo tomadas pela gestão da universidade desde 2016 no sentido de aumentar a segurança institucional, como a criação de um Grupo de Trabalho Interno de Segurança, reuniões e pactos de cooperação com a Secretária de Segurança Pública do Estado, o aumento do número de técnicos lotados na Coordenação de Segurança, a revisão dos contratos de segurança e o desenvolvimento de estudos sobre as áreas de vulnerabilidade. Ações de médio e longo prazo, bem como a proposta de construção de uma Política de Segurança Institucional, que ainda não existe na UFAL, também foram explanadas para a comunidade acadêmica.

PM no Campus

Algumas representações estudantis afixaram cartazes questionando a presença e a ação da PM. Foto: Divulgação UFAL

Um dos pontos polêmicos da sessão foi o debate sobre a realização de rondas ostensivas da Polícia Militar dentro do campus A. C. Simões. Por haver partes favoráveis e contrárias à presença da PM na universidade, as discussões foram acaloradas. Algumas representações estudantis afixaram cartazes questionando a presença e a ação da PM. No momento, não existe nenhuma ação efetiva de policiamento dentro no campus. Entretanto, também não há proibição de que a Polícia Militar circule na universidade.

“Uma das coisas que eu mais ouvi ao longo da semana foi a ideia de que o campus era violento. Violência é um conceito polissêmico, em que cabem várias coisas. Desde a violência psicológica até um ato violento contra a vida. Na área de segurança, o que a gente usa para mensurar a violência é o homicídio porque é o crime mais grave, contra a vida. Se você pensar desse ponto de vista, o campus não é violento. Pelo contrário, o campus é uma ilha de segurança no mar de sangue que é o entorno da cidade universitária”, ponderou o professor Emerson Oliveira do Instituto de Ciências Sociais.

“É desafiador falar nesse tema. E, como estudiosa da área, eu sei que a maior parte das atenções sempre se volta para as ações de resposta imediata, o que de fato não temos. Porque o problema [da segurança] não é um problema da universidade, mas de um contexto social mais amplo. A polícia não deixa de circular dentro da universidade. Não há uma dicotomia de entra ou não entra PM, porque ela já entra. A questão é como entra. Existem formas de policiamento diferenciadas, padrões alternativos. Se a gente não cria uma aproximação da PM para que ela entenda o que é uma dinâmica universitária, mesmo a entrada esporádica é perigosa. Então a gente não encerra essa discussão por aqui, ela é bastante complexa”, pontuou a professora Elaine Pimentel, da Faculdade de Direito e membro do Grupo de Estudos Sobre a Violência em Alagoas.

 

Fonte: Ascom UFAL

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