Seriam as aves dinossauros? Meio Ambiente

quinta-feira, 23 novembro 2017

Exposição em Natal (RN) mostra como o estudo das aves contribuiu para o desenvolvimento da Teoria da Evolução das Espécies, uma das ideias mais poderosas da ciência e que alicerça todo o conhecimento atual sobre os seres vivos.

O que os papagaios brasileiros têm a ver com uma importante mudança de entendimento sobre a natureza, ocorrida no início da Idade Moderna? Como os egípcios antigos inspiraram discussões sobre a evolução das espécies no século XVIII? De que maneira a Ema – ave símbolo do Rio Grande do Norte – e os sabiás do campo, comuns em nosso território, foram importantes para os estudos de Charles Darwin?

É com essa abordagem, enumerando alguns fatos marcantes na História das Ciências Naturais, que a exposição Aves e evolução – Uma perspectiva histórica apresenta a construção do conhecimento evolutivo através da Ornitologia, ou seja, mostrando como o estudo das aves contribuiu para o desenvolvimento de uma das ideias mais poderosas da ciência, que alicerça todo o conhecimento atual sobre os seres vivos: a Teoria da Evolução das Espécies, proposta pelos naturalistas britânicos Charles Darwin e Alfred Wallace, no século XIX.

A exposição, cujo projeto inicial foi apresentado no XXI Congresso Brasileiro de Ornitologia, ocorrido no Rio de Janeiro em 2014, chega a Natal agora e ocupa uma das salas do Museu Câmara Cascudo/UFRN, onde ficará em cartaz de 23 de novembro de 2017 a 05 de agosto de 2018.

A réplica do Archaeopteryx apresenta um animal, de cerca de 150 milhões de anos, com cauda óssea longa, garras nas mãos e uma boca semelhante a um bico repleto de dentes, tal qual um pequeno dinossauro carnívoro, mas também com nítidas evidências de asas e penas

A mostra convida o visitante a viajar ao longo da História da Ciência, no encalço do que já foi considerado “o mistério dos mistérios”, acompanhando a jornada do intelecto humano, da Idade Antiga até chegarmos às concepções atuais sobre evolução biológica, tendo como fio condutor a participação das aves nesse processo.

O conteúdo da exposição será explorado através de documentos, modelos, réplicas e recursos tecnológicos, além de uma notável coleção de aves taxidermizadas, das quais a maioria será apresentada ao público pela primeira vez. Merece destaque uma réplica do Archaeopteryx, um dos mais famosos fósseis já descobertos: a desconcertante peça, de cerca de 150 milhões de anos, apresenta um animal com cauda óssea longa, garras nas mãos e uma boca semelhante a um bico repleto de dentes, tal qual um pequeno dinossauro carnívoro, mas também com nítidas evidências de asas e penas. Esse animal extinto, descoberto em 1861, cerca de dois anos após a publicação da obra “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, acendeu o debate de que as aves seriam descendentes dos dinossauros.

As pesquisas atuais, no entanto, vão além da discussão levantada no século XIX e indicam que as aves não apenas descendem dos dinossauros: elas são verdadeiros dinossauros vivos, que podemos ver hoje, cotidianamente! E é isso – entre tantas outras evidências e curiosidades – que a exposição do MCC traz para o público, fazendo-o conhecer mais e melhor esses animais que sempre cativaram a admiração e curiosidade da humanidade. Animais alados que ajudaram a construir os pilares do grande edifício do conhecimento biológico: a Evolução.

Curadoria e aquarelas

Foto: UFRN DivulgaçãoA curadoria da exposição Aves e evolução – Uma perspectiva histórica está a cargo de Glaudson Freire de Albuquerque, grande entusiasta de divulgação científica e da História da Ciência, autor de diversas ações em parceria com instituições como UFRN, FAPERN (Fundação de Apoio à Pesquisa do RN), Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, Sociedade Brasileira de Ornitologia e instituições internacionais, como o Club Alpino Italiano Sezione di Giaveno e o Museo Geologico Sperimentale, também italiano.

Em seu currículo destacam-se a curadoria da exposição O Eixo da Vida, apresentada durante a 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a coordenação do evento Trocando Ideias Sobre Ciência na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2014 e a participação na equipe de curadores da exposição Insetti: vita e curiosità a sei zampe, apresentada no Jardim Botânico do Museu Regional de História Natural de Turim, na Itália, em 2016.

Outro destaque da exposição é o conjunto de 12 aquarelas realizadas especialmente para o evento, representando aves que protagonizaram capítulos curiosos, instigantes e reveladores sobre nosso entendimento acerca da vida na Terra. A série é obra de Rafael Silva do Nascimento, designer, ilustrador e estudante de Ciências Biológicas, cujo trabalho se caracteriza pelo caráter eminentemente artístico e pela grande precisão científica, tendo como foco as aves, tanto as que podemos ver nos dias de hoje como as que se extinguiram ao  longo do tempo.

Um museu conectado

Nos últimos anos, as novas tecnologias vêm revolucionando o trabalho feito pelos museus, principalmente no que se refere às possibilidades expográficas. Integrando-se a esse movimento, o Museu Câmara Cascudo apresenta a seus visitantes novos recursos tecnológicos  no âmbito da exposição Aves e evolução – Uma perspectiva histórica, dando um novo passo na construção de um museu contemporâneo, atual, conectado e em sintonia com seu tempo.

Graças a uma parceria com o professor Rummenigge Rudson Dantas, da Escola de Ciências & Tecnologia da UFRN, foi desenvolvido um jogo repleto de interação e criatividade, em relação direta com a exposição: o Voo da Evolução. Nesse jogo, desenvolvido pelo Prof. Rummenigge com o apoio de uma equipe de estudantes, o visitante controla uma ave que precisa migrar até a área de reprodução da espécie, tendo que enfrentar diversos desafios pelo caminho para conseguir passar seus genes adiante. Lúdico e educativo, divertido e com diferentes graus de dificuldade, o jogo com certeza agradará a crianças e adultos.

Outros recursos interativos estarão à disposição dos visitantes através do MCC Code, um aplicativo leitor de QR Code criado especialmente para escanear os códigos encontrados no Museu Câmara Cascudo. O projeto foi desenvolvido pelo professor Bruno Santana da Silva, do Instituto Metrópole Digital da UFRN, com o apoio de alunos bolsistas. O nome escolhido para o aplicativo faz alusão às iniciais do museu e ao nome do dispositivo, criando a ideia de um código do museu.

No âmbito da nova exposição, esse recurso permitirá que o visitante tenha acesso a diversas curiosidades sobre as aves e seu processo evolutivo, expandindo o conteúdo da exposição para o campo virtual. Graças ao MCC Code, o Museu Câmara Cascudo afirma seu desejo de diversificação e democratização da informação, aliando as novas tecnologias à disseminação do conhecimento.

O visitante também vai encontrar o jogo Voo da Evolução, no qual ele controla uma ave que precisa migrar até a área de reprodução da espécie, tendo que enfrentar diversos desafios pelo caminho para conseguir passar seus genes adiante.

Um museu em plena maturidade

A abertura da exposição Aves e evolução – Uma perspectiva histórica faz parte das comemorações pelo 57º aniversário do Museu Câmara Cascudo da UFRN, celebrado no dia 22 de novembro. Com mais de meio século de história, o MCC se apresenta hoje como o maior museu do Rio Grande do Norte e um dos mais importantes centros de educação, lazer e pesquisa de Natal.

A história do MCC inicia-se em 22 de novembro de 1960, com a criação do Instituto de Antropologia, fruto da vontade e do esforço de intelectuais como Luís da Câmara Cascudo, José Nunes Cabral de Carvalho, Veríssimo Pinheiro de Melo e Dom Nivaldo Monte. À época, o IA se tornou o primeiro centro de pesquisas da UFRN, espaço onde ocorreram pesquisas pioneiras no Estado, em diversos campos do conhecimento.

Com a modificação da estrutura da UFRN, ocasionada por uma Reforma Universitária do início da década de 1970, o Instituto de Antropologia foi extinto, dando origem a diversos centros e departamentos acadêmicos da universidade. Para que suas coleções e toda a sua infraestrutura não se perdesse, foi oficializada, então, a unidade que hoje conhecemos como Museu Câmara Cascudo.

Museu Câmara Cascudo. Av. Hermes da Fonseca, 1398 – Tirol, Natal – RN. Telefone: (84) 3342-4914

Redação, com informações da Ascom UFRN

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