Sono e aprendizagem Educação

quarta-feira, 8 novembro 2017

Manifesto da Associação Brasileira de Sono propõe mudanças no horário das aulas para adolescentes em prol de melhores resultados escolares

A Associação Brasileira de Sono (ABS) está divulgando um manifesto propondo mudanças no horário das aulas para os estudantes do sétimo ao nono ano do ensino fundamental e dos três anos do ensino médio (adolescentes entre 13 e 17). A proposta é que o início das aulas ocorra preferencialmente a partir das 8:30, para garantir um mínimo de quantidade e qualidade de sono e um bom processo de aprendizagem.

Pesquisadores investigam o sono de adolescentes brasileiros

Para o autor da proposta, o médico John Fontenele-Araujo, doutor em Neurociência e Professor titular em Cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a ideia do manifesto é criar um amplo debate na sociedade brasileira. “Vamos debater junto às autoridades, o MEC e as secretárias de educação e entidades educacionais. Porém, o nosso principal objetivo é que a discussão sobre a importância do sono na aprendizagem e que os adolescentes precisam dormir mais, chegue aos lares brasileiros. É preciso que os pais saibam que a aprendizagem dos seus filhos está sendo prejudicada pelo horário escolar atual (início das aulas às 7 horas). Com pesquisadores deste tema, estamos à disposição para contribuir com os professores, gestores, pais e estudantes para uma melhor educação”, afirma. Ele ressalta ainda que este é “um exemplo do conhecimento produzido na universidade e que está sendo aplicado na sociedade”.

Desempenho acadêmico

De acordo com o manifesto, a proposta se baseia no conhecimento científico atual que aponta, entre outros aspectos, o sono como essencial para a aprendizagem e que adolescentes têm maior dificuldade em antecipar os horários de dormir e acordar para se adaptar aos horários escolares matutinos, principalmente os que se iniciam antes das 8h.

Além da ABS, a Academia Americana de Medicina do Sono e a Associação Americana de Pediatria já tomaram posição semelhante. Mudanças nos horários escolares, que ocorreram em países como Estados Unidos e Inglaterra, influenciaram positivamente o desempenho acadêmico e emocional dos alunos.

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No documento, a ABS considera que no futuro, diante das mudanças que ocorrerão nos currículos escolares, as escolas caminhem para a adoção de horários flexíveis, que acompanhem a necessária flexibilização dos conteúdos e espaços de aprendizagem. A entidade sugere que os gestores educacionais, em nível municipal, estadual e federal, em conjunto com entidades educacionais e organizações de professores, planejem ações voltadas a implementar mudanças nos horários escolares.

Veja o manifesto na íntegra.

Redação com informações da ABS

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