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Quarta, 28 de Junho de 2017

#HojeÉDiadeCiência Terça, 13 de Junho de 2017

Podemos ser mais velhos do que pensamos

Novas descobertas sobre a origem da espécie Homo Sapiens podem reescrever a história. Confira na coluna de hoje

Em uma publicação recente na revista Nature, pesquisadores do Instituto Max Planck afirmam ter encontrado restos humanos que podem reescrever a origem de nossa espécie.

A descoberta foi feita no sítio arqueológico de Jebel Irhoud no Marrocos, próximo à costa do Atlântico, muito distante de onde acredita-se que tenham vivido os primeiros indivíduos da espécie Homo Sapiens.

Sítio Arqueológico de Jebel Irhoud. Fonte: Shannon McPherron, MPI EVA Leipzig/ CC-BY-AS 2.0.

Estudos genéticos com populações humanas atuais e dois esqueletos de 196 mil e 160 mil anos, apontam a Etiópia como a origem de nossa espécie a pelo menos 200 mil anos. No início dos anos 2000, pesquisadores do Instituto Max Planck dataram os mais de 20 ossos humanos encontrados no sítio Marroquino de Jebel Irhoud, concluindo que todos os ossos possuíam idades em 280 mil e 350 mil anos, aproximadamente 100 mil anos mais velhos que os esqueletos encontrados na Etiópia, tidos como os mais antigos da espécie H. sapiens.


Reconstrução facial com as peças encontradas em Jebel Irhoud. Fonte: Hublin/Ben-Ncer/Bailey/et al/Nature.

A datação e a reconstrução facial levam a crer que os primeiros H. sapiens também viveram em Jebel Irhoud. Os dentes, apesar de maiores que os de um humano atual, se encaixam melhor às características dos H. sapiens do que as características dos Neandertais ou outra espécie mais antiga.

A descoberta de Jebel Irhoud, aliada a estudos em outras localidades da África, envolvendo fósseis semelhantes aos de H. sapiens, nos dão pistas sobre a evolução de nossa espécie, indicando uma origem mais diversa do que pensávamos.

A origem mais antiga de nossa espécie também é suportada por estudos da Universidade de Uppsala na Suécia, onde foi sequenciado o DNA de um garoto que viveu na África do Sul a pelo menos 2 mil anos. Descobriu-se que sua origem evolutiva diferia da origem de populações africanas atuais, indicando que seu genoma seria pelo menos 260 mil anos “mais antigo”.

Os pesquisadores do Instituto Max Planck não obtiveram o DNA dos fosséis encontrados em Jebel Irhoud, tal informação poderia elucidar com maior precisão a origem dos fragmentos encontrados.

A nova descoberta é muito importante, porém todos os resultados obtidos até o momento devem ser analisados com cautela, já que a semelhança dos fósseis de H. sapiens aos fósseis de outras espécies pode levar a resultados incertos.

Fonte: Revista Nature

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Se você ainda não leu a coluna da semana passada, leia agora .

Victor Farinella

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