A Estrela de Belém #HojeÉDiadeCiência

sexta-feira, 20 dezembro 2019
Quadro “Adoração dos magos”, do pintor Giotto.

A história dos magos e de sua “estrela-guia” permanece até hoje como um dos mais belos mistérios da humanidade

O capítulo dois do Evangelho segundo Mateus começa com um relato intrigante. Magos vindo do Oriente chegaram a Jerusalém para visitar o recém-nascido menino-Jesus guiados por uma estrela.

No passado, viajar pelo mundo guiando-se por constelações era bastante comum. Mas o relato original parece sugerir um astro singular, que ficou conhecido na história como a Estrela de Belém.

Uma das primeiras hipóteses foi proposta por Orígenes (183-254 d.C.) e, talvez pela sua beleza e raridade, foi a que mais permaneceu no imaginário popular. Retratado no quadro “Adoração dos magos”, do pintor Giotto, que teria ele mesmo presenciado a aparição no ano de 1301, a Estrela de Belém seria um cometa. O famoso cometa de Halley.

Mas essa hipótese não se sustenta, pois o reinado de Herodes I, na Judéia, estendeu-se de 37 a.C. até 4 a.C., e o cometa de Halley, hoje sabemos, passou no ano 12 a.C. – cedo demais para o intervalo que os historiadores concordam para o nascimento de Jesus (entre 7 a.C. e 4 a.C.).

Aliás, aqui cabe outra informação. Não se sabe ao certo o dia e mês de nascimento de Jesus, mas dificilmente foi 25 de dezembro (durante o rigoroso inverno boreal). Essa data foi escolhida para que os cristãos recém-convertidos substituíssem uma festa pagã romana, a “Saturnália”, comemorada em honra ao deus Saturno, da mitologia greco-romana.

Supernova

No final do ano de 1572, o astrônomo dinamarquês Tycho-Brahe descobriu uma estrela muito brilhante na constelação de Cassiopéia. Seu brilho era tamanho, que o novo astro podia ser visto mesmo à luz do dia.

Mais tarde esse fenômeno foi batizado de “supernova”, para designar estrelas que explodem, aumentando assustadoramente de brilho durante um período de tempo relativamente curto (meses).

Contemporâneos de Tycho viram no astro a mesma estrela que teria guiado os magos, enquanto outros afirmavam que ela anunciava a chegada de um novo Salvador.

Tríplice conjunção

Outra hipótese aventada foi a conjunção planetária. Isso acontece quando dois planetas brilhantes (como Vênus, Júpiter ou Saturno) se cruzam no céu, às vezes passando visualmente tão próximos que parece um só.

Melhor ainda é a tripla conjunção, que não envolve três planetas, como se poderia supor a princípio, mas dois planetas que se encontram por três vezes em menos de um ano.

Conjunções entre Júpiter e Saturno acontecem em intervalos de cerca de 20 anos, mas as conjunções triplas entre esses planetas são muito mais raras. A última foi no início da década de 1980 e a próxima será somente no distante ano de 2238.

No ano 7 a.C. aconteceu outra. Esses planetas se encontraram no céu em maio, setembro e dezembro daquele ano, na constelação de Peixes. Coincidentemente ou não, peixes costumam simbolizar o próprio Cristianismo.

É difícil chegar a qualquer conclusão sobre o assunto. A própria concepção de magos vindos do Oriente têm falhas. Surgiu no século VI d.C., quando seu número foi fixado devido a natureza de seus presentes. Porém, segundo uma tradição oriental, foram doze os magos que visitaram Jesus.

Tenha acontecido de fato ou não, a história dos magos e de sua “estrela-guia” permanece até hoje como um dos mais belos mistérios da humanidade.

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Leia o texto anterior: Estações em outros mundos

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José Roberto Costa

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