Marte é o rei da noite #HojeÉDiadeCiência

sexta-feira, 13 julho 2018
Nosso vizinho Marte observado pelo Telescópio Hubble. (Foto: NASA/ESA).

Nas noites de julho, a Terra e o planeta vermelho estarão bem próximos, por isso o brilho de Marte será intenso

No tempo gasto para você ler esta frase, o planeta Marte fica trinta quilômetros mais perto da Terra.

Na verdade é a Terra quem se dirige velozmente (a cerca de 105 mil quilômetros por hora) na direção de Marte, o que o torna cada vez maior e mais brilhante.

Nas noites de julho, mês em que essa aproximação é máxima, o brilho de Marte no céu noturno só é superado pelo luar.

Você avançou mais 90 quilômetros na direção do Planeta Vermelho (como costumamos chamar Marte). Continue lendo!

Atletas celestes

Mas afinal, porque nos aproximamos? Podemos bater? Sem risco. Pense na Terra e Marte como dois atletas correndo em pistas circulares, mas não coincidentes. Nosso planeta se move mais rápido porque está na pista interna. Uma volta completa leva doze meses.

Marte, por sua vez, gasta quase o dobro do tempo para completar seu percurso, pois corre na pista maior e mais externa. Como cada um tem sua própria trajetória, nunca se chocam. Mas de tempos em tempos a Terra emparelha com Marte.

Estamos só de passagem, é claro. Uma semana mais tarde e a ligeira Terra volta a ficar na dianteira do seu vizinho encarnado.

A propósito, você agora está 300 quilômetros mais perto de Marte.

(Fonte: Google)

Oposição

A cada 26 meses a Terra e Marte ficam nessa encruzilhada planetária. Os astrônomos chamam o fenômeno de “oposição” porque, visto da Terra, Marte surge do lado oposto ao Sol. Quando o astro-rei se põe no horizonte Oeste e a noite cai, Marte se ergue exuberante sobre o Leste – e passa a noite inteira como o rei da noite.

As oposições de Marte são sempre acontecimentos, mas a que aconteceu no ano de 2003 foi realmente histórica. A melhor em dezenas de milhares de anos, literalmente! Foi quando o Planeta Vermelho passou a “meros 56 milhões de quilômetros” de nós.

Desta vez não será tão espetacular, mesmo assim a distância entre Marte e Terra em 2018 será de 57,7 milhões de quilômetros. Nada mal… Isto é, ainda é uma distância respeitável, mas muito menor que a distância média que separa nossos mundos: 225 milhões de quilômetros.

Assim como naquele ano, a aproximação entre Terra e Marte não traz nenhum risco ao nosso mundo, nem provocará qualquer mudança no clima ou desencadeará terremotos. É tudo uma questão de mecânica orbital. Um belo e preciso movimento dos mecanismos celestes.

É muito fácil perceber a luminosidade vermelho alaranjada do planeta Marte no céu. Ele é aquela “tocha” em forma de estrela que se destaca no céu todas as noites de julho no lado no nascente.

Mas se você quer uma observação mais apurada vai precisar de um telescópio com tripé. Instrumentos que tiverem pelo menos 15 cm de abertura (o diâmetro da lente objetiva) estarão em condições de visualizar detalhes da superfície marciana, como as calotas polares ou as incríveis tempestades de areia (tem uma acontecendo lá justamente agora).

Aliás, é hora de lembrar que Marte já ficou 700 quilômetros mais perto de você.

 

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José Roberto de Vasconcelos Costa

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