Uma gigante chamada Katherine Johnson Ciência Nordestina

terça-feira, 11 setembro 2018

Ao completar 100 anos, ela é exemplo para mulheres e homens que encontraram na ciência um caminho para mudar a vida das pessoas

A história conta que John Herschel Glenn Jr. foi o primeiro estadunidense a entrar na órbita da Terra, em 20 de fevereiro de 1962. Esta mesma história demorou mais de 50 anos para tornar público que ele só o fez depois de ter certeza que Katherine Johnson checasse os dados, tendo em vista a sua reputação por cálculos de precisão, fundamentais para o cálculo das janelas de lançamento de foguetes.

Conhecida como computador de saias e em uma divisão compartilhada por mulheres chamadas de “computadores de cor”, Katherine sofreu com o racismo e machismo durante toda a sua trajetória profissional, em um tempo em que a segregação ocorreria em níveis assustadores (como bem retrata o filme “Estrelas Além do Tempo”).

No entanto, sua paixão por Matemática era muito maior que qualquer tipo de preconceito e a fez muito mais eficiente que qualquer homem. Se Neil Armstrong pisou à Lua na Apollo 11 e declarou que aquele seria um “pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”, podemos dizer que tudo aquilo ocorrera tal qual previsão da equipe de Katherine Johnson. O momento eternizado de Armstrong ocorrera não apenas sobre o solo lunar, mas especialmente pelos cálculos de Katherine.

A aniversariante de 100 anos tem um legado de perseverança inquestionável e é um símbolo de resistência para todos os jovens, mostrando que a paixão, dedicação e foco naquilo que fazemos pode nos conduzir a lugares nunca imaginados. Katherine levou o homem à Lua. E bem mais importante que isso, é exemplo para mulheres e homens que encontraram na ciência um caminho para mudar a vida das pessoas.

Como ela mesmo afirmou: “Nós sempre vamos ter a ciência conosco. Algumas coisas vão desaparecer, mas sempre vai haver ciência, engenharia e tecnologia. E sempre, sempre vai haver matemática. Tudo é física e matemática”.

Esta mistura de paixão pela profissão, humildade, perseverança, a incrível capacidade de compartilhar conhecimento associada ao desejo de questionar fazem de qualquer cientista um grande agente transformador.

Esta lição é extremamente relevante para os tempos atuais, quando os machistas do século XXI (sim, eles existem e são muitos) ainda fazem as jovens acreditarem que as ciências exatas são seara exclusiva para os homens.

Sejam, machistas da nova geração, apresentados a esta brilhante matemática, que fez muito contando com o pouco de infraestrutura que dispunha. Ela foi brilhante no pior dos horizontes, sendo mulher negra em uma sociedade machista e racista.

O conhecimento produzido pela espécie humana precisa evoluir com homens e mulheres de mãos dadas. Por mais Katherine Johnson e meninas nas engenharias, matemática e física.

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Leia o texto anterior: Engenharia da decoreba

Helinando Oliveira é Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) desde 2004 e coordenador do Laboratório de Espectroscopia de Impedância e Materiais Orgânicos (LEIMO).

Helinando Oliveira

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