Uso de efluente de esgoto doméstico tratado na agricultura familiar O Mundo que queremos

quinta-feira, 15 abril 2021
Girassol Ornamental fertirrigado com água cinza.

Especialistas apontam esse tratamento como fonte alternativa de água e fertilizante para a agricultura, garantido a segurança hídrica e o uso sustentável dos recursos hídricos

Devido à adversidade climática, o semiárido brasileiro necessita de uma cultura de convivência com a seca, sendo essencial o desenvolvimento de tecnologias que permitam o uso eficiente e a potencialização dos recursos solo e água como garantia da soberania alimentar com maior segurança ambiental.

O tratamento e a utilização de efluente de esgoto doméstico é apontado como fonte alternativa de água e fertilizante para a agricultura, garantido a segurança hídrica e o uso sustentável dos recursos hídricos.  Adicionalmente, o reuso de água para fins agrícola após tratamento evita a contaminação dos corpos hídricos receptores das águas residuais e, tem o benefício extra de fornecer água e fertilizantes aos vegetais. Além disso, esta prática reduz o uso de água doce na agricultura, aumentando a sua oferta para fins domésticos e viabiliza a sustentabilidade humana em áreas de difícil sobrevivência.

Figura 1 – Sistema de tratamento e reuso.

Em vários países desenvolvidos e em desenvolvimento os efluentes domésticos têm sido utilizados com frequência nos cultivos agrícolas. Entretanto, os efluentes não podem ser utilizados de forma bruta, pois possuem alta concentração de coliformes termotolerantes e carga elevada de poluentes ambientais, sendo necessário o tratamento para uso seguro na agricultura.

No meio rural, vários sistemas de tratamento foram adaptados à agricultura familiar no semiárido como fonte hídrica alternativa para a produção agrícola em sistemas de produção integrado e sustentável. Em geral, o sistema é simples e de fácil utilização e manutenção, sendo, basicamente composto por uma caixa de passagem que reúne as águas cinza do chuveiro e pias, um tanque séptico de duas câmaras com capacidade para 1000 L, um filtro anaeróbio de fluxo ascendente com capacidade de 500 L e, um reservatório para armazenar a água tratada com capacidade de 500 L – disponível para a irrigação de diversas culturas (Figura 1).

Porém, devido às limitações físico-químicas e biológicas do esgoto bruto, o efluente tratado deve ser avaliado e manejado frequentemente com o desenvolvimento de técnicas que viabilizem seu uso sustentável. Entretanto, quando rigorosamente manejado, os sistemas de tratamento são eficientes na remoção de patógenos, óleos e graxas presentes nas águas cinzas, tornando-a apta para ser utilizada na fertirrigação sem perdas de rendimentos nas colheitas.

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Leia o texto anterior: Projetos vencedores do desafio uso racional da água

Nildo da Silva Dias é Professor Associado da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa).

Nildo da Silva Dias

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