A importância de uma alimentação saudável na infância Saúde

segunda-feira, 16 novembro 2020

Pesquisa aponta que o consumo de alimentos ultraprocessados na infância pode levar à obesidade e à hipertensão na idade adulta

O consumo de alimentos ultraprocessados na infância desempenha um papel importante no desenvolvimento de obesidade e hipertensão, segundo o artigo Can the consumption of ultra-processed food be associated with anthropometric indicators of obesity and blood pressure in children 7 to 10 years old?, de autoria principal da doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFPE Tafnes Oliveira. Para a pesquisa, realizada entre setembro de 2018 e novembro de 2019, foram avaliadas 164 crianças, de 7 a 10 anos, de cinco escolas públicas de Vitória de Santo Antão, na Região Metropolitana do Recife (PE).

Segundo a autora “o consumo de alimentos não processados ou minimamente processados foi inversamente associado com a pressão sanguínea diastólica. Além disso, observamos que a contribuição calórica dos alimentos ultraprocessados era rica na dieta das crianças”. Para se chagar ao resultado, a pesquisa analisou dados como o Índice de Massa Corporal (IMC) por idade, a Circunferência da Cintura (CC) e razão cintura-altura (WHtR). Já o consumo de alimentos foi analisado a partir de três parâmetros dietéticos, durante 24 horas, e classificados entre os não processados ou minimamente processados; os ingredientes culinários e alimentos processados e alimentos ultraprocessados.

Doenças

O artigo aponta que uma contribuição aumentada deste tipo de alimento foi positivamente associada à densidade energética, a partir da adição de açúcar, sódio e gorduras totais e trans, além de ser associado negativamente com o consumo de proteínas e fibras. “Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas com várias etapas de processamento, incluindo alguns ingredientes que fazem a comida mais saborosa, durável e barata”, explica Tafnes.

Doenças relacionadas ao consumo de alimentos com essas propriedades, a obesidade e a hipertensão arterial sistêmica (HAS), são problemas de saúde pública com aumento da prevalência em crianças e adolescentes em todo o mundo. Segundo dados do artigo, “entre 1975 e 2016, a obesidade em crianças e adolescentes (5–19 anos) aumentou mais de dez vezes, de 11 milhões para cerca de 124 milhões no mundo e, no Brasil, estima-se que, em 2016, a prevalência de obesidade em meninas e meninos (5–9 anos) foi de 12,4% e 17,6%, respectivamente”.

E mais: a prevalência mundial de HAS em crianças e adolescentes foi de 4%, com uma tendência de aumento da prevalência nas últimas duas décadas. As estimativas nacionais para HAS aponta variação de 2,1% a 8,6% em crianças em idade escolar e, ainda, sabe-se que a obesidade e a hipertensão arterial na infância pode persistir na adolescência e na idade adulta. Levantamento realizado com crianças brasileiras (até 10 anos) mostrou que quase metade das calorias ingeridas (47%) foram fornecidas por alimentos ultraprocessados.

Segundo a pesquisadora, embora estudos longitudinais com crianças brasileiras associem o consumo de alimentos ultraprocessados com aumento do colesterol total e lipoproteína de baixa densidade (LDL), triglicerídeos e circunferência da cintura, a influência de diferentes graus de processamento de alimentos sobre indicadores de obesidade e pressão arterial em crianças ainda é pouco descrita. “Há outros estudos que observaram que o aumento de uma porção/dia de bebidas adoçadas com açúcar esteve associado a um aumento de 0,8 mmHg na pressão arterial sistólica (IC 95%: 0,4-1,2) e 0,3 (IC 95%: 0,0-0,5) mmHg na pressão arterial diastólica”, relata.

Projeto

O estudo desenvolvido na UFPE faz parte do projeto de pesquisa Crescer com Saúde em Vitória de Santo Antão, Pernambuco, desenvolvido desde 2009 na cidade, com foco em crescimento e desenvolvimento, estado nutricional, consumo alimentar, perfil bioquímico, desenvolvimento motor, aptidão física e os efeitos da pliometria física, treinamento sobre essas variáveis em escolares. O município possui 129.974 habitantes e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) era de 0,640 em 2010, que é considerado médio.

Para Tafnes, os resultados vêm reforçando a necessidade de criar e implementar estratégias preventivas de educação alimentar e nutricional no ambiente escolar, dentre as quais o aumento no consumo de alimentos não processados ou minimamente processados deve ser enfatizado, visando à prevenção e ao tratamento da hipertensão em crianças.

Fonte: Ascom da UFPE

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