Cientistas criam protetor solar que potencializa redução dos danos causados pela radiação Saúde

segunda-feira, 30 maio 2022
Os experimentos ocorreram no Laboratório de Sistemas Dispersos (LaSiD), localizado no Departamento de Farmácia da UFRN. Foto: Cícero Oliveira/UFRN

Formulação criada por equipe da UFRN também demonstrou atividade antioxidante e cicatrizante

Das radiações solares que atingem a Terra, a radiação UV é a principal causadora de danos à pele humana. Dentre os danos causados, têm-se o envelhecimento precoce, perda da elasticidade da pele, queimaduras solares, além de ser um dos principais fatores de predisposição ao câncer de pele. Ao mesmo tempo, estudos evidenciam que os protetores solares comercializados comumente, de forma isolada, não são capazes de proteger 100% a pele contra todos esses danos, necessitando da complementação de outros produtos cosméticos após a exposição solar. Nesse cenário, um panorama que se apresenta como frutífero é o uso combinado de fotoprotetores com substâncias antioxidantes ou cicatrizantes.

Pensando nisso, inventores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) criaram uma formulação com aplicabilidade cosmética para a veiculação de filtros UV visando a redução dos danos causados pela radiação solar; não só, um produto que também possui atividade antioxidante e cicatrizante. Júlio Abreu Miranda, um dos cientistas envolvidos na descoberta científica, conta que a invenção abrange a composição e o método de obtenção de uma nanoemulsão, cuja base é óleo de linhaça e que tem uma semente rica em Ômega 3.

Segundo ele, o óleo possui compostos que garantem propriedades bioativas à formulação. “A rigor, a invenção possui finalidades cosméticas para a proteção, reparação tecidual e mantenimento das características saudáveis da pele frente a exposição solar. Para isso, conta com ativos fotoprotetores como filtros UV e óleo de linhaça que, além de atribuir propriedades antioxidante e cicatrizante à formulação, poderá atuar em sinergismo com os filtros UV, tornando possível uma menor quantidade de filtros para que se obtenha a proteção desejada”, pontua o estudante.

Em vídeo, cientista falou de algumas das características da patente

Em países de clima tropical como o Brasil, essa é uma preocupação constante. Para termos ideia, a radiação UV é responsável por causar diversos danos à pele humana, tais como queimaduras, envelhecimento precoce, perda de funções cutâneas como a elasticidade, bem como alterações no DNA. Adicionalmente, a intensa exposição à radiação UV sem proteção efetiva se destaca como um dos principais fatores de predisposição ao câncer de pele.

Na forma líquida, a nanoemulsão pode ser produzida como aerosol ou creme para uso similar ao de protetores solares, porém com mais raio de proteção. Foto: Cícero Oliveira/UFRN

Como os protetores solares não são inteiramente adequados como a única fonte de prevenção contra os danos causados pela exposição solar, as nanoemulsões surgem como uma promissora opção de interesse no campo de estudo do desenvolvimento de novas formulações com atividade fotoprotetora. Por serem formadas por gotículas, ou seja, gotas extremamente pequenas, as nanoemulsões têm características potencializadas, como a estabilidade cinética na formulação, que a distingue das “emulsões grosseiras”.

Além disso, o tamanho reduzido da fase dispersa permite uma maior área de superfície de contato com a pele, podendo assim, aprimorar a ação fotoprotetora dos filtros UV veiculados, minimizando mais ainda os danos causados pela radiação. A situação propicia uma menor quantidade de filtros nas formulações para atingir o efeito desejado, o que, por si só, acaba tendo impacto direto no custo do produto, tornando-o mais acessível ao consumidor e aumentando a possibilidade de aquisição.

Júlio pontua que o uso in natura do óleo de linhaça através da via tópica pode conferir desvantagens quanto às características desagradáveis, como odor, além de comprometer a sua estabilidade. Entretanto, ele frisa que o produto supera essas desvantagens. “Conseguimos alcançar essa possibilidade pois o óleo de linhaça encontra-se na fase interna do sistema nanoemulsionado, o que lhe confere maior estabilidade e melhoramento das características organolépticas desagradáveis, como a do cheiro”.

O uso do óleo de linhaça está inserido em um contexto de utilização de extratos vegetais que possuam em sua composição compostos fenólicos ou a vitamina E, componentes que atuam impedindo a formação de espécies reativas de oxigênio e, por conseguinte, protegendo a pele da formação de eritema, fotoenvelhecimento e estresse oxidativo. O aumento do Fator de Proteção Solar (FPS) da formulação, citado anteriormente, provém do fato destes compostos naturais poderem atuar simultaneamente com os filtros UV sintéticos.

Além do estudante, estão envolvidos no depósito de pedido de patente da invenção os cientistas Wógenes Nunes de Oliveira, Lucas Amaral Machado, Éverton do Nascimento Alencar e Eryvaldo Sócrates Tabosa Do Egito. Os pesquisadores salientam ainda que os sistemas nanoemulsionados permitem uma maior área de superfície de contato com a pele por possuírem um tamanho reduzido de gotícula. Essa característica reduz a dose de filtros UV para se obter o efeito desejado, bem como, a ocorrência de possíveis efeitos indesejados causados pelas grandes quantidades de filtros encontrados nas formulações comerciais.

Atualmente, no estudo vinculado à pesquisa, os inventores finalizaram a fase de pré-formulação e estão avançando para a fase pré-clínica. Nesse momento, acontecem os testes in vitro e in vivo para verificar a eficácia e segurança da formulação. “Já existem protótipos feitos, uma formulação contendo dois filtros UV, um na fase oleosa e um na fase aquosa, o que comprova a possibilidade de incorporação de filtros em ambas as fases do sistema”, identifica Júlio.

O docente do mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde fala ainda que o processo de patenteamento é de extrema importância por promover, dentre outras coisas, uma aproximação maior entre a Universidade e a Indústria, “o que acaba por facilitar a transformação do protótipo produzido em bancada laboratorial em um produto final em escala industrial, resolvendo problemas que existiam na sociedade”, salienta.

Denominado “Nanoemulsão cosmética fotoprotetora, antioxidante e cicatrizante à base de óleo de linhaça (Linum usitatissimum l.) e seu processo de obtenção”, o pedido passa agora a integrar o portfólio de invenções da UFRN. O catálogo está disponível em www.agir.ufrn.br.

Fonte: AGIR/UFRN

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