Como a pandemia influenciou o interesse público em parques nacionais Pesquisa

sexta-feira, 26 março 2021
Parque Nacional do Catimbau, Pernambuco.

Estudo que contou com pesquisadores da Ufal, UFRN e UEB investigou 2.411 e revelou diferenças de comportamento

Pesquisadores do Laboratório de Conservação do Século 21 da Ufal participaram de um estudo recente publicado na referenciada revista internacional Biological Conservation [Qualis A1; Fator de Impacto 4.711]. O trabalho analisou o interesse público da sociedade com relação aos parques nacionais no período da pandemia de covid-19 em todo o mundo. A pesquisa se concentrou, especificamente, nos impactos da limitação da mobilidade das pessoas, diante do isolamento social e de medidas de lockdowns, considerando a forte relação causal do interesse público e a visitação nos parques nacionais.

O estudo foi conduzido por cientistas da Ufal em parceria com pesquisadores da Universidade de Helsinki, do Porto, do Rio Grande do Norte, da Estadual da Bahia e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que analisaram o interesse em 2.411 parques nacionais. O interesse público nos parques foi avaliado com base no volume global de pesquisa na Internet para cada um, por meio da plataforma Google Trends.

“O Google Trends nos permite avaliar as tendências de buscas realizadas no Google sobre qualquer tema. Então, o que fizemos foi buscar entender se essas tendências tiveram alteração devido à pandemia. Percebemos que houve uma diminuição acentuada do interesse público referente aos parques, coincidindo com as restrições da covid-19 em todo o mundo, e como o interesse público global aumentou subsequentemente à medida que os lockdowns foram se atenuando”, disse Carolina Neves Souza, uma das pesquisadoras que participaram do estudo.

De acordo com os resultados da pesquisa, o declínio das buscas na internet por parques nacionais aconteceu mesmo com o aumento do tráfego total de dados na internet entre 40% e 60% durante o segundo trimestre de 2020. As razões por trás desse declínio podem estar relacionadas com uma perda de motivação ou interesse nesse assunto. Os pesquisadores discutem que não há maneira de saber precisamente o que motiva um indivíduo a procurar informação sobre um parque nacional, uma vez que muitas buscas podem ser uma consequência do planejamento de uma visita física, da procura de informação para um projeto escolar, de um interesse casual ou até mesmo para os propósitos de investigação acadêmica.

“A pandemia da covid-19 pode ter influenciado negativamente todas estas motivações ao restringir ou proibir viagens internacionais e nacionais; causar o fechamento de instituições educacionais e acadêmicas; e causar a perda de interesse devido ao aumento de preocupações com os impactos econômicos e sanitários da pandemia”, explicam.

Outro resultado importante do estudo é que, apesar da redução global do interesse público nos parques Nacionais durante a pandemia, foi encontrada uma diferenciação no comportamento tanto em nível local de cada parque como também quando considerados em nível de país no qual está inserido, como mostra a figura no anexo. Enquanto muitos parques na África e na Ásia sofreram reduções drásticas no interesse público, alguns parques na Austrália e Finlândia não só mantiveram o interesse público, como apresentaram um aumento do volume de busca. No Brasil e nos Estados Unidos, os declínios de interesse público em relação aos parques nacionais foram menos evidentes e os pesquisadores atribuem à influência de “mensagens confusas acerca das medidas de isolamento social” que os dois países tiveram.

E reforçam: “Considerando o aumento do interesse público na Finlândia, que pode ser uma consequência do engajamento da sociedade na visitação local aos parques, e a diminuição do interesse em parques da África, talvez ocasionado pelo declínio do turismo internacional, o estudo reforça o papel fundamental que a visitação tem para promover o interesse público da sociedade nos parques nacionais. Além disso, o monitoramento é importante para auxiliar os tomadores de decisão, organizações e pesquisadores a promoverem ações eficazes de sensibilização em relação à visitação e à proteção dos parques”.

O artigo é assinado por Carolina Souza, Ana Carla Rodrigues, Ricardo Correia, Iran Normande, Hugo Costa, Jhonatan Guedes-Santos, Ana Malhado, Adriana Carvalho e Richard Ladle. Para acessar a versão completa, clique aqui.

Fonte; Asom da Ufal

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