Em Sergipe, pesquisadores desenvolvem pigmentos coloridos nanométricos Inovação

quinta-feira, 30 março 2017

O doutor em Física Marcos Vinícius pretende aplicar os pigmentos em revestimentos cerâmicos que atualmente são importados pelo mercado brasileiro

Desenvolver pisos cerâmicos com tonalidades inexistentes no mercado sergipano é a proposta do doutor em Física, Marcos Vinícius dos Santos Rezende. O estudo pretende oferecer ao pigmentos para a produção de pisos cerâmicos coloridos, que hoje são importados a altos custos. Há um ano o projeto vem sendo desenvolvido no Departamento de Física da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em parceria com a empresa Escurial Revestimentos Cerâmicos.

O professor Marcos Vinícius explica que os pigmentos utilizados atualmente em Sergipe para a criação de tintas, que são aplicadas na cerâmica, vem do exterior, o que deixa o produto mais caro para o consumidor. “A maioria dos pisos não tem uma quantidade de cores variadas, então a ideia é produzir um pigmento com várias tonalidades. O pigmento utilizado pela empresa Escurial, por exemplo, é importado. A ideia é produzir um pigmento com tonalidades diferentes e com esse pigmento produzir a tinta”.

Para o desenvolvimento do novo produto, vários testes já estão sendo realizados. Alguns resultados já foram obtidos em pequena escala, mas a meta é desenvolver os pisos coloridos em grande escala e testar a durabilidade da tinta no produto.

Nanométrico

De acordo com Rezende, alguns pigmentos já foram desenvolvidos, a meta agora é produzir em grande escala e a expectativa é de que até o final do ano já se tenha um piso piloto. “No laboratório, o pigmento é desenvolvido em tamanho nanométrico, que são pequenas gramas de pigmento. O desafio é conseguir transformar a criação de um pigmento que possui poucas gramas, em uma grande produção, de uma tonelada, por exemplo, mantendo as mesmas características”, afirma.

O pesquisador avalia que no Brasil a universidade ainda fica longe da indústria, o que dificulta a chegada de produtos desenvolvidos na academia ao mercado. Segundo Rezende, os desafios são grandes mesmo trabalhando em conjunto com o setor empresarial. “Desenvolver no laboratório é uma coisa, mas pensar como vai ser feito na indústria é o grande desafio. É muito diferente, o desafio é pensar em grande escala. Às vezes a gente produz um material muito bom e com boas características, só que você vai produzir uma tonelada não dá certo”, explica Marcos Vinícius.

A pesquisa conta com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), através do Programa de pós-doutorado.

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