Esmeralda no sertão Pesquisa

terça-feira, 18 maio 2021
A pesquisa teve análises realizadas no Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos Cosméticos da UFRN, coordenado pelo professor Márcio Ferrari – Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

Pesquisa da UFRN utiliza resíduo da produção do sisal para a área cosmética e pode ser vetor de desenvolvimento no Nordeste

Uma pesquisa realizada dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) resultou no desenvolvimento de uma tecnologia que consegue, a partir de um resíduo da produção do sisal, obter a formulação de sabonete em pó, produtos de limpeza para o cabelo, pele facial e corporal, além da alternativa de aplicação em animais.

Essa invenção tem importância singular quando pensada para o contexto da região nordestina, pois no Brasil o cultivo dessa planta ocupa uma extensa área de solos na região semiárida dos estados da Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, em locais com escassa ou nenhuma alternativa para exploração de outras culturas. Juntos, esses estados têm uma população de aproximadamente 800 mil pessoas que vivem, direta ou indiretamente, em estreita relação com essa fibrosa. E não por acaso.

A introdução do sisal no Brasil data de 1903, no estado da Bahia. As primeiras mudas foram provavelmente trazidas do México – Fotos: Pimentel et al (2006)/ Pereira, A. V (2016)

Resistente à aridez e ao sol intenso do sertão nordestino, com haste longa e suculenta, da Agave sisalana sai uma fibra resistente e dela se faz muita coisa. Cordas e artesanatos são exemplos. Contudo, o setor produtivo, usualmente, só compra a fibra, que representa 5% da planta. A polpa, que é a maior parte, termina indo para o lixo. E é aqui que o resultado da pesquisa da UFRN mostra sua relevância.

“O uso desse resíduo como matéria-prima para as indústrias cosmética e farmacêutica pode contribuir para o desenvolvimento econômico da região, em especial a agricultura familiar, bem como, ao recolhermos o resíduo dos locais de onde é realizada a retirada da fibra da Agave, mitigar o impacto ambiental. O resíduo das folhas da Agave sisalana será retirado do meio ambiente e será tratado de forma sustentável e ‘verde’ para transformá-lo em uma matéria-prima de valor comercial”, nos conta o cientista Márcio Ferrari.

Em vídeo, cientistas explicam aspectos adicionais da nova tecnologia

Para a obtenção da fração de saponinas do resíduo, o professor do Departamento de Farmácia acrescenta que o processo utiliza a água como solvente, em substituição aos solventes orgânicos, característica que torna o insumo não poluente ao meio ambiente. A fração desenvolvida é considerada um produto eco-friendly, não poluente, portanto, ao meio ambiente. O uso da água também representa maior facilidade e economia de processo, agilizando o tempo e reduzindo as etapas para preparo da fração e redução da geração de resíduos orgânicos.

O nome saponina é derivado da palavra latina sabão, devido à sua propriedade surfactante, que forma espuma estável e se parece com sabões quando em agitação em uma solução aquosa. “É o maior e o mais diversificado grupo de produtos naturais bioativos, encontrados primariamente em plantas”, realça Elissa Arantes Ostrosky. Junto com Márcio, Flávia Scigliano Dabbur e Jean Antônio Aderaldo da Silva Filho, Elissa compõe o grupo de inventores responsável pela descoberta científica, cujo depósito de patente ocorreu no mês passado sob a denominação Processo de extração e obtenção de uma fração de saponinas a partir do resíduo das folhas de Agave sisalana, uso da referida fração em composições e produtos cosméticos.

Em fase de construção de um protótipo, a tecnologia já está à disposição para os futuros parceiros, seja por transferência tecnológica ou licenciamento. “A formulação em forma de pó é uma tendência de mercado por não ter água na sua formulação, apresentando maior estabilidade e facilidade no transporte do produto, que pode ser comercializado como dose unitária ou não”, afirma Ferrari.

Márcio Ferrari é um dos pesquisadores do estudo – Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

 

Fonte: AGIR/UFRN

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