Gel anti-inflamatório é feito com plantas da caatinga Pesquisa

segunda-feira, 30 março 2020

Produto que foi patenteado pela UFRN pode ser utilizado em humanos e em tratamentos veterinários

Um novo depósito de pedido de patente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) resultou em um Gel para tratamento de inflamações de uma forma geral, a partir de novas formulações farmacêuticas com folhas das espécies Kalanchoe laciniata e Bryophyllum pinnatum, ambas cultivadas na Caatinga. Além do uso em humanos, a nova medicação pode ser utilizada no tratamento veterinário de equinos, bovinos e caprinos. Uma das cientistas envolvidas, a professora do Departamento de Farmácia da UFRN, Silvana Maria Zucolotto Langassner, colocou que a invenção foi testada frente a modelos experimentais de inflamação aguda em seres vivos, momentos nos quais foi observada a redução dos inchaços provenientes das irritações.
“As duas espécies são ricas em metabólitos classificados como flavonoides, substâncias naturais com ações anti-inflamatória, vasodilatadora, analgésica, anticancerígena, anti-hepatotóxica, bem como atividade antimicrobiana e antiviral. A nossa invenção comprova cientificamente a viabilidade da utilização de matérias-primas derivadas das folhas frescas ou secas das espécies em formulações farmacêuticas com atividade anti-inflamatória”, especificou Silvana Langassner.

Pesquisadora Silvana Langassner. Foto: Divulgação.

Ela acrescentou que as plantas têm um uso popular já disseminado, pois as pessoas identificaram esse possível efeito cicatrizante. “Nos dez anos em que nós do Grupo de Pesquisa de Produtos Naturais Bioativos trabalhamos com essas plantas, vários estudos de doutorado, mestrado e iniciação científica foram desenvolvidos. Um dos aspectos interessantes dessas espécies é que são de pequeno porte, com matéria-prima abundante e, muito importante, são nativas”, afirmou a docente. Silvana Langassner ressaltou ainda que a nova tecnologia está de acordo com a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicas, que visa promover o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional.

O Brasil é o país que detém a maior parcela da biodiversidade, em torno de 15% a 20% do total mundial e, entre os elementos que a compõem, as plantas são a matéria-prima para a fabricação de fitoterápicos e outros medicamentos. Em virtude dos medicamentos sintéticos apresentarem muitos efeitos colaterais, a busca por novos anti-inflamatórios é constante. Para termos ideia, o uso contínuo de corticosteroides de uso oral pode provocar diversos efeitos colaterais, dentre os quais destacam-se osteoporose, trombose, úlceras gástricas, hipertensão arterial e hiperglicemia. Já os efeitos colaterais que podem ser causados pelos corticosteroides de uso tópico são sensação de ardor, irritações, ressecamento da pele e estrias. Além disso, o uso prolongado de anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs) orais podem afetar o estômago e o intestino, causando lesão tópica na mucosa e efeitos sistêmicos associados.
O Gel produto resultante da pesquisa é fruto do estudo de Edilane Rodrigues Dantas de Araújo no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF) e contou com a parceria da equipe do Laboratório de Tecnologia e Biotecnologia Farmacêutica. Segundo ela, a conclusão é que os “sucos” das duas espécies apresentaram atividade gastroprotetora e anti-inflamatória tópica em modelos in vivo, resultados que justificam a utilização popular das espécies. Atualmente, Edilane de Araújo desenvolve pesquisa no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), onde testa qual a capacidade do Gel atuar na cicatrização do processo inflamatório. Ambas pesquisadoras deram mais detalhes a respeito do produto e da pesquisa em vídeo.
Denominado “Formulações farmacêuticas contendo insumos ativos de Kalanchoe laciniata e Bryophyllum pinnatum e sua atividade anti-inflamatória”, o depósito da patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) tem como autores também os pesquisadores Arnóbio Antônio da Silva Júnior, Edilane Rodrigues Dantas de Araújo, Gerlane Coelho Bernardo Guerra, Jacinthia Beatriz Xavier dos Santos, Júlia Morais Fernandes, Juliana Felix da Silva e Matheus de Freitas Fernandes Pedrosa.
O diretor da Agência de Inovação (AGIR) da UFRN, Daniel de Lima Pontes, explicou que as orientações e explicações a respeito dos aspectos para patentear uma determinada invenção são dadas na própria AGIR, unidade localizada no prédio da Reitoria, ou através do e-mail patente@agir.ufrn.br. O estudo desenvolvido pela equipe é o terceiro depósito de pedido de patente da Universidade em 2020 e junta-se assim a um grupo de 246 depósitos da Instituição, os quais integram o portfólio de ofertas tecnológicas da Instituição, disponível para acesso em www.agir.ufrn.br, a disposição de empresários com interesse em produzi-las industrialmente. Daniel Pontes frisou que o depósito já permite que a tecnologia esteja disponível para o setor produtivo aproveitá-la para melhorar seus processos e fluxos de trabalho.

Fonte: ASCOM - Agência de Inovação/UFRN

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