Hipertensão no Brasil Saúde

segunda-feira, 26 julho 2021

Pesquisadores da UFPE avaliam o impacto do número de pessoas hipertensas no país após a mudança dos valores de referência para a identificação da doença

O estudo inédito “O impacto da alteração do limite da monitorização residencial da pressão arterial de 135/85 para 130/80 mmHg nos fenótipos de hipertensão”, elaborado pelos pesquisadores do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika) da UFPE Audes Feitosa, José Luiz de Lima Filho e Wilson Nadruz, foi publicado no Journal Clinical Hypertension, em maio passado. O principal objetivo do estudo foi avaliar o impacto do quantitativo de pessoas hipertensas no Brasil após a mudança dos valores de referência para a identificação da doença. Por meio desta pesquisa, com base nos novos valores de normalidade da pressão arterial (PA) adotados na última Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2020 (DBHA2020), foi possível comprovar que houve um aumento em 20% no número de pessoas hipertensas, passando de 37% para 57%.

Segundo o cardiologista Audes Feitosa, a última diretriz alterou os valores de diagnóstico da hipertensão arterial na monitorização residencial da pressão arterial (MRPA). “A alteração seria de 135/85 para 130/80 mmHg (milímetros de mercúrio) para o diagnóstico de hipertensão utilizando medidas domiciliares, mantendo o ponto de corte anormal da pressão arterial no consultório de 140/90 mmHg”, explicou. Para ele, essa mudança nos valores de normalidade foi necessária porque foi identificado que a pressão arterial na MRPA que melhor se correlaciona com o diagnóstico no consultório é 130/80 e não 135/85 mmHg.

“Com esta pesquisa, pudemos observar um aumento de duas vezes na prevalência de fenótipos de hipertensão mascarada (quando a pressão arterial está normal no consultório e elevada em casa), uma diminuição de aproximadamente 50% na prevalência de fenótipos de hipertensão do avental branco (quando a pressão arterial está elevada no consultório e normal em casa), o aumento da detecção de fenótipos de hipertensão sustentada (quando a pressão arterial está elevada no consultório e em casa), e diminuição da detecção de normotensão e hipertensão controlada (quando a pressão arterial está normal no consultório e em casa)”, afirmou.

Tese

Esse estudo foi ainda um dos artigos que compôs a tese de doutorado “Comportamento da pressão arterial fora do consultório no Brasil”, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Aplicada à Saúde do Lika da UFPE e defendida por Audes Feitosa, em junho deste ano. Um dos pontos fundamentais da tese foi investigar o comportamento da pressão arterial fora dos consultórios médicos no país, bem como a prevalência e os determinantes dos fenótipos da hipertensão. “Estas pesquisas e dados contribuem para um melhor entendimento do comportamento da PA fora do consultório e dos fenótipos de hipertensão arterial no Brasil e podem ser úteis para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para o controle da hipertensão arterial no nosso país”, salientou Feitosa.

A hipertensão arterial ou pressão alta é uma doença crônica caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Ela acontece quando os valores das pressões máxima e mínima são iguais ou maiores que 14 por 9, podendo desencadear diversas consequências graves como o acidente vascular cerebral (AVC), infartos, insuficiência cardíaca e renal, dentre outros. De acordo com dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), em 2015, o Brasil ocupa o 6º lugar entre os países com a maior taxa de morte por doenças cardíacas, infartos e hipertensão arterial entre homens e mulheres na faixa dos 35 aos 74 anos. Para evitar essas consequências, é fundamental que os hipertensos conheçam sua condição e mantenham-se em tratamento com o controle adequado da pressão.

Fonte: Ascom da UFPE

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