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segunda-feira, 11 janeiro 2021

Invenção de pesquisadores da UFRN na área odontológica pretende reduzir custos com maior conforto para pacientes

Um dispositivo capaz de registrar as medidas necessárias para confecção de uma dentadura, seja com tecnologia digital ou convencional, que substitui por medições uma das etapas atuais de elaboração, a de esculpir planos de cera, considerada complexa. Esse é o resultado de mais uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e que rendeu um pedido de registro de propriedade intelectual, no mês de dezembro, sob a denominação: “Dispositivo para registro das relações maxilomandibulares em arcos edêntulos”, em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE).

Coordenadora do projeto, a professora Adriana da Fonte Porto Carreiro afirmou que para chegar ao produto final, o grupo procurou integrar ao dispostivo moldeiras para a execução da moldagem preliminar, na mesma etapa clínica do registro. “A nossa expectiva é que com a sua aplicação, essa etapa se torne mais precisa e realizada em menor tempo clínico, o que impactará em menor custo e maior conforto para o paciente”, pontuou.

O dispositivo em questão apresenta como principal vantagem a possibilidade de facilitar a execução da etapa clínica de registro das relações maxilo mandibulares

Tal situação é possível, pois o invento proposto oferece a possibilidade de realização, em uma única sessão clínica, da moldagem anatômica, do registro das relações maxilomandibulares, das linhas referenciais e da delimitação do corredor bucal em arcos totalmente edêntulos, etapas necessárias para a confecção da dentadura. Rodrigo Falcão, doutorando na UFRN, explicou que essa nova perspectiva é alcançada a partir da interposição e fixação do dispositivo em meio intrabucal (no meio da boca), adequando-se tanto ao fluxo convencional como à tecnologia de desenho e produção assistidas por computador.

Para termos ideia do alcance dessa nova tecnologia, o estudo Percepções Latino-americanas sobre Perda de Dentes e Autoconfiança, feito pela Edelman Insights e divulgado em 2018, identificou que, apenas no Brasil, 39 milhões de pessoas usam próteses dentárias. Além disso, 16 milhões de brasileiros vivem sem nenhum dente e 41,5% das pessoas com mais de 60 anos já perderam todos. Destinada à área odontológica, o dispositivo objeto do pedido de patente tem ampla utilização na especialidade de prótese dentária, embora sua aplicação seja específica para as pessoas com arco dentário totalmente edêntulo, ou seja, aqueles que não tem mais dentes na boca.

O produto

O equipamento é dotado de um garfo para determinação do plano oclusal, espaço dentro da boca estabelecido por uma linha reta traçada da oclusal do último dente inferior à borda incisal dos incisivos centrais inferiores. Com hastes de fixação com regulagem telescópica, o invento possibilita ser ajustado às mais variadas medidas, além de permitir uma união rígida e estável entre o garfo e as moldeiras, sem a utilização de materiais de consumo adicionais.

Comparado a outras técnicas, o invento proposto tem o benefício de não necessitar de uso de materiais adicionais, reduzindo o desperdício e a produção de resíduos

“Atualmente, estamos realizando a impressão do protótipo para avaliação. Será conduzido um ensaio clínico controlado com o objetivo de avaliar a precisão, facilidade de uso e impacto na redução do tempo do tratamento e conforto para o paciente”, esclareceu Sandra Lúcia Moraes, professora da UPE, ao colocar em que estágio estáo desenvolvimento da tecnologia.

O projeto é vinculado ao grupo de estudos e pesquisa em Reabilitação Oral (GEPRO) do programa de pós-graduação em Ciências Odontológicas do Departamento de Odontologia da UFRN, e conta também com a participaçao de Ana Larisse Carneiro e Anne Kaline Claudino. Para o grupo, o processo de patenteamento incentiva a criação de soluções inovadoras. Na UFRN, a Agência de Inovação (AGIR) é responsável pela orientação aos inventores quanto aos procedimentos e requisitos de patenteabilidade dos resultados das pesquisas realizadas, bem como sobre aspectos da própria gestão da propriedade intelectual.

O grupo de cientistas já desenvolveu o protótipo do novo dispositivo

O diretor da AGIR, Daniel de Lima Pontes, frisou que a Agência de Inovação propicia um vasto suporte aos cientistas, bem como trabalha também na transferência dessa tecnologia. Ele colocou que, embora o período de pandemia, as demandas dentro da Agência de Inovação continuam sendo recebidas pela equipe através do e-mail patente@agir.ufrn.br.

Fonte: Agecom UFRN

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