Mudanças no mapa do Semiárido Pesquisa

quinta-feira, 11 janeiro 2018
Municípios incluídos no mapa de 2017 estão destacados em verde. (Fonte: Lapis/UFAL)

Monitoramento ambiental coordenado pela Sudene e UFAL reconfigura mapa do Semiárido brasileiro ao acrescentar 73 municípios

Em pesquisa organizada pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), 73 novos municípios do Nordeste e do norte de Minas Gerais foram adicionados ao mapa do Semiárido brasileiro. A adição, aprovada em novembro de 2017, permite que os novos municípios classificados possam obter benefícios estabelecidos por lei em caso de seca. Alagoas, Rio Grande do Norte e Sergipe foram os únicos estados que não tiveram adição de cidades na nova delimitação, tendo confirmados os mesmos municípios inclusos anteriormente. O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Ufal participou da pesquisa.

A partir de medida aprovada pelo Ministério da Integração Nacional, em 2014, foi definida a formação de um grupo de pesquisa para, a cada 10 anos, estudar o Semiárido e realizar as alterações necessárias em seu mapa. O professor Humberto Barbosa, do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat) da Ufal, foi convidado a participar do grupo por já desenvolver estudos sobre o Semiárido Alagoano. Coordenado pela Sudene, o grupo de pesquisa responsável pela nova delimitação do Semiárido conta com a participação de diversos órgãos governamentais, porém a Ufal foi a única instituição de ensino a participar da pesquisa.

O Lapis é responsável pela captação e processamento de mapas e imagens de satélite, que permite o acompanhamento e previsão do tempo para a Caatinga. Os novos municípios do Semiárido agora vão poder contar com auxílios e programas específicos para a convivência com a seca.

Apesar da grande quantidade de municípios do Semiárido que sofreram com as secas nos últimos anos, o professor Humberto destaca que este ano a temperatura da água do Atlântico está favorável para a chuva na região. Mas ele ressalta que haverá períodos de muita irregularidade. “Uma preocupação é a tendência de chover menos do que o normal em março, que é o pico da estação chuvosa no Semiárido brasileiro, uma das regiões que mais sente a influência do fenômeno La Niña”. Para o pesquisador, não basta haver essa condição favorável do esfriamento das águas do Pacífico, o que chamamos La Niña, “a temperatura da água do oceano Atlântico é a variável mais importante para prever como será a estação chuvosa do Semiárido para o período de fevereiro a abril, sendo necessário que as águas da costa leste do Atlântico Sul estejam aquecidas”, completa.

O próximo grupo de trabalho deve ser organizado em 2027, mas o professor ressalta que caso mudanças climáticas aconteçam e se os municípios se mobilizarem politicamente, uma nova articulação pode ser organizada antes desse prazo.

Luana França com informações da Ascom/Ufal

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