O resgate da inovação Políticas de C&T

segunda-feira, 20 abril 2020

SBPC entrega ao governo uma proposta completa para a nova Política Nacional de Inovação

Nos últimos 40 anos, a produção de grãos no Brasil aumentou 20.000%, enquanto a área plantada cresceu apenas 62%. Ou seja, o Brasil produz muito mais quilos de grãos por hectare plantado. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e demonstram o enorme ganho de produtividade que fez com que o Brasil alcançasse um posto entre os líderes mundiais das exportações de produtos agrícolas. No ano passado, o agronegócio exportou US$ 96 bilhões, respondendo por 42% das vendas do País ao exterior.

Para o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira, o desempenho do agronegócio é resultado de uma longa história de investimentos maciços em tecnologia e inovação, que trouxeram o melhoramento de plantas, solos, nutrição e defensivos.

“Se hoje o Brasil tem um excelente desempenho da balança comercial do agronegócio, isso se deve em grande parte às pesquisas realizadas pela Embrapa”, afirma Moreira, referindo-se à estatal Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias. Ele espera que esse histórico seja levado em conta este ano em que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) prepara uma nova Política Nacional de Inovação (PNI).

A nova PNI ficou aberta à consulta pública do dia 8/11/2019 até o dia 20/1/2020. Segundo a assessoria de comunicação do Ministério, 552 pessoas físicas e jurídicas fizeram contribuições ao documento, respondendo ao menos uma questão. A previsão é que, após a análise dos resultados da consulta em março, sejam definidos um plano de ação, a forma de implementação e a governança do plano, que deve ser finalizado e apresentado no segundo semestre.

Em declarações à imprensa, o secretário de Empreendedorismo e Inovação do MCTIC, Paulo Alvim, disse esperar que a nova PNI estruturasse as ações governamentais na área pelos próximos dez anos (2020-2030).

A SBPC foi uma das instituições que contribuiu com o projeto do governo, entregando a Alvim, no dia 4 de fevereiro, um documento com propostas para a nova PNI, cuja síntese está no quadro “Dez propostas para destravar a inovação”.

Mentalidade inovadora

Elaborado por um Grupo de Trabalho (GT) da Comissão de Financiamento à Pesquisa e de Política Científica da SBPC, liderado pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, o documento da SBPC aborda todas as vantagens, oportunidades e obstáculos, identificados a partir da experiência de 16 cientistas e especialistas renomados que compõem a Comissão.

O trabalho faz um mapeamento das ações voltadas ao fomento de uma mentalidade inovadora e a integração entre todos os agentes; aborda questões como burocracia, incentivos e reforço a programas bem sucedidos. Na parte da educação e formação de recursos humanos, sugere o incremento para os doutorados industriais e iniciação científica nas empresas. “A ideia é que se a pessoa está na interface entre os dois mundos, ela vai ter um olhar inovador para o mercado, porque tem uma visão da utilidade do que ela está desenvolvendo, como um produto para o consumidor e não apenas uma boa ideia”, explica Sidarta Ribeiro.

O texto entregue ao MCTIC sugere que o governo recupere e aproveite diagnósticos, análises e recomendações formuladas em estudos anteriores, como o Livro Branco (de 2001), que sintetizou as linhas de uma política para a década seguinte; o Livro Azul, que resultou da IV Conferência Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação (CNCTI, de 2009); o relatório derivado do encontro nacional ENCTI 2016-2022 e o Projeto de Ciência para o Brasil (2018), da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Veja aqui o PDF do documento.

Fonte: Jornal da Ciência

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