Óleo de dendê pode ser reutilizado no tratamento de água Pesquisa

terça-feira, 1 setembro 2020
Óleo de dendê descartado de frituras de acarajé foi usado como fonte de carbono para produção do adsorvente.

Produto descartado de frituras de acarajé foi testado como fonte de carbono para produção de um adsorvente para corantes de águas residuais

Com o crescimento da população mundial e desenvolvimento das cidades e a intensificação do processo de industrialização e de suas atividades, a poluição hídrica, sobretudo nas cidades, vem crescendo significativamente com a destinação incorreta de diversos produtos químicos, principalmente com poluente, como os corantes orgânicos, prejudicando de forma direta o meio ambiente e a vida humana.

Dentre os inúmeros poluentes aquosos, os corantes têm despertado maior preocupação devido à sua utilização extensiva em muitas indústrias, como têxtil, borracha, plásticos, cosméticos, farmacêutica, impressão, couro e alimentar. Os corantes são poluentes conhecidos por interferir nas atividades fotossintéticas da vida aquática, e alguns corantes e seus metabólitos são relatados como tóxicos e cancerígenos para seres humanos e outros animais.

Essas informações foram coletadas por Raimundo Alves Lima Sobrinho em sua pesquisa de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da UFS.

Uma das técnicas mais promissoras para tratamento de efluentes é a adsorção, processo em que os contaminantes “aderem” à substância atrativa. Essa substância costuma vir de uma fonte de carbono de biomassa de baixo custo ou de resíduos. O que Raimundo e seus orientadores fizeram foi testar o óleo de dendê descartado de frituras de acarajé como fonte de carbono para elaborar um adsorvente. E funcionou.

“Grande parcela do óleo de fritura é, infelizmente, descartada de forma errônea e trágica no meio ambiente”, afirma prof. Raimundo Sobrinho.

Resíduo do óleo de dendê

O óleo de palma (dendê) já tem aplicação (indústria, culinária, biodiesel, dentre outros) consolidada, mas o resíduo pós-processamento ainda carece de reaproveitamento ou tratamento para destinação final.

“Em nosso trabalho, utilizamos o resíduo do óleo de dendê pós fritura do acarajé, que se apresenta como constituinte da culinária típica de nossa região. Em nossas entrevistas realizadas com produtores regionais, foi salientado que pequena quantidade do resíduo gerado é reutilizado na produção de sabão, mas a grande parcela é, infelizmente, descartada de forma errônea e trágica no meio ambiente”, aponta Raimundo.

Ele explica que a técnica escolhida nesse processo se chama “Nanocasting” e assim, foi sintetizado um material híbrido (réplica de carbono – OMC) com propriedade adsorvente, combinando características superficiais (elevada área superficial, carregado eletricamente) e porosas (micro e mesoporos ordenados) pré-definidas, que foi utilizado para remoção de corantes presentes em efluentes industriais descartados em rios e oceanos.

A orientadora de Raimundo, Iara de Fátima Gimenez, explica que através dessa pesquisa foi almejado propor uma destinação para esse resíduo, e atenta para o fato de que em vários casos não ocorre o descarte adequado. “Outras indústrias não utilizam catálise, mas elas geram efluentes poluídos que não podem ser descartados no meio ambiente, apesar de que em algumas situações nós sabemos que ocorre”, afirma.

Orientadora da pesquisa, a professora Iara Gimenez alerta para o descarte inapropriado de efluentes poluídos no meio ambiente. (Foto: Schirlene Reis – Ascom/UFS)

Adsorção dos corantes

Os resultados das análises físico-químicas mostraram que tanto a síntese da réplica de carvão micro-mesoporoso (OMC) com óleo de dendê, como a eficiência dela na adsorção apresentada para diferentes (tamanho e carga) corantes foram obtidos com sucesso.

Segundo Raimundo, o tema inspira um apelo ambiental, visto que a produção de bens de consumo aumenta em escala bem superior que a do tratamento dos resíduos gerados, o que eleva a necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias de modo a minimizar custos e atender às normas ambientais no reuso de resíduos orgânicos. “Também destacar que a ciência é capaz de minimizar os danos gerados atualmente ao meio ambiente, reutilizando e/ou reaproveitando os diversos resíduos produzidos”, complementa.

Se inscreva no Canal Nossa Ciência no You Tube

Siga Nossa Ciência no Instagram

Para saber mais

A pesquisa citada nesta matéria pode ser encontrada no Repositório Institucional da UFS, clicando aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Site desenvolvido pela Interativa Digital