Pesquisa mostra que zika na gravidez é fator de risco para surdez Saúde

quinta-feira, 8 setembro 2016

Resultados do estudo, realizado em parceria com a UFPE, vão contribuir para reformular a triagem auditiva neonatal

Um estudo realizado no Hospital Agamenon Magalhães (HAM), em parceria com o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), identificou que 5,8% das crianças com diagnóstico confirmado da Síndrome Congênita do Zika apresentam perda auditiva neurossensorial. O artigo, publicado no dia 30/8, na Revista Eletrônica Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR), vinculado ao Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), levou em consideração avaliação realizada com 69 crianças de até dez meses de idade, e vai contribuir para reformular a triagem auditiva neonatal em todo o mundo, considerando a infecção materna pelo zika vírus como um novo fator de risco para deficiência auditiva em crianças.

“Normalmente, a perda auditiva neurossensorial já pode estar relacionada a uma infecção congênita. No entanto, essa prevalência é de um ou dois casos a cada mil crianças nascidas vivas na população em geral. Ou seja, a partir dessa avaliação, podemos considerar que ter zika durante a gravidez é, sim, um fator de risco para perda auditiva congênita da criança”, explica a chefe do serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Agamenon Magalhães e professora da UFPE, Mariana Leal.

Inicialmente, 150 bebês passaram pela triagem e avaliação no serviço de otorrinolaringologia do HAM, referência estadual para esse tipo de acompanhamento das crianças com microcefalia. Dessas, 69 foram selecionadas para participar do estudo. Todas tiveram o diagnóstico confirmado de microcefalia por meio de tomografia, assim como apresentaram resultado laboratorial positivo para a presença do zika vírus. Para fazer parte do estudo, os pacientes tiveram que ter excluída a possibilidade de possuírem outras infecções congênitas. 

Dos 69 bebês avaliados durante o estudo, quatro tinham perda auditiva neurossensorial, ou seja, com comprometimento do ouvido interno ou do nervo auditivo. O estudo, no entanto, não identificou um padrão único da manifestação. Alguns pacientes apresentaram perda auditiva bilateral profunda, enquanto outros apresentam perda unilateral de grau leve.

“Apesar de confirmarmos que as perdas foram neurossensoriais, elas se apresentaram em graus diferentes. Assim, é fundamental continuarmos acompanhando todas essas crianças, visto que é possível, como em outros tipos de infecções, que essas manifestações ocorram de forma tardia ou que sejam progressivas”, complementa a professora Mariana.

Realizado de novembro de 2015 a maio de 2016, o estudo tem autoria da professora da UFPE e chefe do serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Agamenon Magalhães, Mariana Leal; do professor da UFPE e supervisor do Programa de Residência Médica em Otorrinolaringologia do HC-UFPE, Silvio Caldas Neto, da professora da UFPE e fonoaudióloga, Lilian Muniz; da estudante do curso de Fonoaudiologia da UFPE, Luciana Almeida; da residente em Otorrinolaringologia do HAM, Tamires Ferreira; da otorrinolaringologista do HAM, Cristiane Santos; da professora da London School of Hygiene & Tropical Medicine, Laura Rodrigues; da neuropediatra Vanessa Van Der Linden, que atua no Hospital Barão de Lucena e na AACD, e da infectologista pediátrica Regina Coeli, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz.

Confira o artigo no site da publicação.

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