Pesquisadores de Alagoas apresentam dados sobre o Rio São Francisco Pesquisa

quarta-feira, 7 abril 2021
Barco laboratório que percorreu o rio São Francisco com os pesquisadores.

Informações foram reunidas num e-book e revelam condições da água, das margens e das populações ribeirinhas

Desde 2018, pesquisadores nordestinos percorrem anualmente 240 quilômetros do baixo São Francisco para coletar dados sobre o Rio. O resultado são trabalhos interdisciplinares, apoiados por 18 instituições, que compõem um retrato das reais condições da água, das suas margens, e das populações que junto a ele sobrevivem.

Todos os anos, cada expedição gera um relatório científico, que serve como uma visão panorâmica e atualizada para orientar ações concretas e políticas públicas a respeito do São Francisco. Neste ano, no entanto, cientistas, estudantes e o público em geral também passam a contar com mais uma opção de acesso a este conhecimento: Um ebook, lançando pela Editora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que compila dados, análises e imagens das expedições de 2018 e 2019.

O livro está disponível para download neste link. São 21 capítulos, em 25 áreas de pesquisa.

Professor Emerson Soares coletando dados.

Realidade

De acordo com o material, no trecho estudado, o São Francisco encontra-se com poluentes, desmatamento e assoreamento (o processo de acúmulo de dejetos e detritos, a partir do desmatamento que desprotege das margens).

Além disso, as comunidades ribeirinhas vivem em situação socioeconômica precária, sendo muito poucas as políticas públicas de colaboração em ações ambientais.

De acordo com o professor Emerson Soares, engenheiro de pesca e doutor em biotecnologia, é necessário um trabalho em conjunto de instituições, prefeituras, comunidades, “para podermos aos poucos, irmos revertendo o quadro agravante que o São Francisco passa, principalmente com relação ao saneamento básico, presença de contaminantes, regulação da vazão correta e que atenda a necessidades de todos os usuários”, explica.

Ele acrescenta, ainda, que o ponto mais relevante demonstrado nas observações é “que saibamos que o rio vem sendo muito mal tratado. Ele precisa ganhar o lugar de destaque que merece, ser melhor aproveitado”, comenta Emerson Soares.

Equipe de pesquisadores na coleta de dados.

Para tanto, o cientista sugere medidas como um novo tipo de turismo, que seja mais inclusivo, com geração de renda para as comunidades ribeirinhas; educação ambiental nos municípios em que as pessoas vivem da pesca; tratamento de água; combate ao desmatamento e construções irregulares às margens do São Francisco, além de políticas de compensação ambiental (por exemplo, previstas na Lei 9.985), além de eficácia na fiscalização.

Apoio

O Governo de Alagoas apoiou as expedições que geraram o livro através da Secretaria de Ciência Tecnologia e Inovação (Secti), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh) e do Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater).

O livro foi patrocinado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) e pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), com o apoio de produção da Agência Peixe Vivo.

Fonte: Ascom Fapeal

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