Professor do RN participa de missão de pesquisa na Antártida Pesquisa

quinta-feira, 31 janeiro 2019

José João Lelis é do Departamento de Geografia do Ceres Caicó

Conhecido mundialmente por sua costa repleta de belas praias, pelas florestas e por temperaturas, em média, elevadas, o Brasil apresenta grande diversidade de climas. Entre semiárido, tropical, equatorial e diversos outros, o país não conta com as geleiras e o frio polar que a Antártida proporciona. No entanto, conhecer bem o Continente Gelado é fundamental para monitorar e compreender a situação climática brasileira, bem como de todo a América do Sul.

Nesse sentido, o professor José João Lelis, do Departamento de Geografia do Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres), campus Caicó, participou da segunda fase da XXXVII Operação Antártica (Operantar), do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), que durou até o fim dezembro de 2018.

Fundado em janeiro de 1982, o Proantar é um dos programas mais antigos de pesquisa científica na Antártida. Mantido pelos ministérios da Educação e da Defesa, envolve projetos de diferentes áreas de diversas universidades do país.

Embora distante, a Antártida é crucial para o Brasil. Além de ser a segunda maior reserva de água doce do planeta, atrás apenas da bacia amazônica, é ela que regula o clima na América do Sul. Isso garante a existência de alguns dos nossos biomas e a produção agrícola, silvicultura, fruticultura e pecuária exercidas no país. Mudanças climáticas afetarão tais atividades econômicas e, também por isso, é importante monitorar como elas acontecem.

Núcleo monitora temperatura e umidade do solo em mais de 20 sítios do continente.

O docente faz parte do Núcleo Terrantar/INCT Criosfera, mais antigo núcleo brasileiro de pesquisa de solos na Antártida. O núcleo é responsável pelo monitoramento da temperatura e da umidade do solo e do ar em mais de 20 sítios no continente gelado. Tal monitoramento determina a profundidade do permafrost, camada de solo permanente congelada. O descongelamento dessa camada é preocupante, uma vez que é mais rápido do que o das geleiras e representa um significativo aporte de água para elevação do nível do mar e de metano para a atmosfera.

“Os dados de temperatura e umidade do solo alimentam modelos climáticos que nos ajudam a prever cenários futuros do clima em todo o planeta. A Caatinga, por exemplo, é um dos biomas mais frágeis no Brasil. Saber se e quanto haverá de decréscimo de precipitação nos permitirá entender melhor como os solos, plantas e animais se adaptarão a essas mudanças”, explica o professor.

Além da manutenção de parte dos sensores, o docente abriu, descreveu e coletou amostras de perfis de solo com o objetivo de responder como solos de morfologia similar aos do Brasil podem se formar na Antártida.

“O material coletado será utilizado no projeto de pesquisa ‘É possível formar canga laterítica na Antártida?’. Parte da descrição das amostras ocorrerá com os equipamentos do Laboratório Didático de Geociências (LADGEO), em Caicó, e as demais, fora do país”, conta Lelis.

Pela primeira vez representando a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) na Antártida, o docente afirma que envolver discentes de graduação e pós-graduação em novas pesquisas do Núcleo é imprescindível para a capacitação de pessoal e formação de futuros pesquisadores e professores.

 

Fonte: Agecom/UFRN

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