“Não há dúvidas de que isso vai repercutir nos indicadores de saúde no Brasil” Saúde

segunda-feira, 19 novembro 2018
Foto Araquem Alcântara (coletada no Facebook)

Afirmação é do coordenador de pesquisa que avalia impactos do Programa Mais Médicos sobre a saída dos médicos cubanos

No momento em que os governos brasileiro e cubano encerram a parceria que permitia a permanência de médicos cubanos no programa Mais Médicos, Nossa Ciência entrevistou o professor do Departamento de Promoção da Saúde da Universidade Federal da Paraíba, Ricardo de Sousa Soares, sobre o programa e a pesquisa que ele coordena no âmbito da UFPB, sobre indicadores do Mais Médicos no Brasil. O professor afirma que a mudança vai repercutir nos indicadores de saúde no Brasil.

Soares lamenta profundamente o encerramento da parceria entre os dois governos, o que ocasionou a saída de metade dos médicos do programa. Ele lembra que o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, chegou a duvidar da efetiva condição de médicos dos profissionais cubanos. “Isso é descabido, porque eles (os médicos cubanos) têm uma excelente formação e Cuba tem excelentes indicadores sociais”, opinou.

Impossível ocupar vagas com médicos brasileiros

Para Ricardo Soares, sertão paraibano vai sofrer com saída de médicos cubanos. (Foto: Divulgação)

Para ele, o governo brasileiro vai ter dificuldade para que as vagas deixadas no programa sejam ocupadas. A justificativa é que há muitas vagas para médicos no mercado de trabalho no Brasil, não só na atenção primária, mas também em média e alta complexidade. “E do que já se viu nos editais anteriores, 70% das áreas indígenas, onde tinham cubanos, assim como em grande parte do sertão paraibano, não se consegue preencher todas as vagas com médicos brasileiros”, acredita.

Além dos pesquisadores da UFPB, a pesquisa conta também com pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB) e do Imperial College London, no Reino Unido. Serão três anos de duração, a partir de 2018, para avaliar os impactos do programa nos indicadores de saúde do Brasil. Os recursos são do Fundo Newton (Reino Unido), do Conselho Nacional de Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) e do Governo do estado da Paraíba, por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado (Fapesq).

Reunião em Brasília

No próximo dia 21 (quinta), uma reunião com todos os centros de pesquisa vai discutir o atual estado da pesquisa, na UNB, em Brasília.

Leia a matéria sobre a pesquisa, publicada em abril: Estudo avalia impactos do Programa Mais Médicos no Brasil

Mônica Costa

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