Projeto busca popularizar consumo de Pancs Pesquisa

sexta-feira, 28 agosto 2020

Pesquisa liderada pela professora Patrícia Medeiros, da Ufal, foi premiada pela edição 2020 do International Rising Talents L'Oréal – Unesco

Tornar as Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) conhecidas, popularizar o consumo, incrementar a renda de agricultores e indicar formas de extração sustentável. Esses são os principais objetivos do projeto premiado internacionalmente e liderado pela professora do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca) da Ufal, Patrícia Medeiros.

Com esse estudo, a docente da Universidade Federal de Alagoas conta que “foi a única brasileira a ser premiada pela edição 2020 do Prêmio International Rising Talents L’Oréal – Unesco e a primeira pesquisadora de uma instituição do Nordeste a conquistar a premiação”. O resultado foi divulgado em março deste ano. Em 2019, ela também foi uma das ganhadoras da edição nacional do prêmio.

Professora Patrícia Medeiros.

A pesquisa sobre Pancs está em andamento e é realizada em comunidades de agricultores e extrativistas do município alagoano de Piaçabuçu. O objetivo é levantar uma série de informações que as tornem mais conhecidas pelo público e, consequentemente, sejam mais consumidas. “Já realizamos o inventário etnobotânico. Estamos na etapa dos estudos ecológicos nas áreas de restinga, da avaliação sensorial das plantas e do formulário on-line para identificar o público-alvo mais propenso a consumi-las”, explica a professora.

As frutíferas nativas silvestres, a exemplo do jenipapo, aroeira, araçá do mato e cambui, foram escolhidas como foco do trabalho. “Elas servem de alimento, mas são desconhecidas pela maioria das pessoas, especialmente em áreas urbanas. Essas comunidades já as comercializam e a popularização delas poderia incrementar a renda”, afirma.

Jenipapo também terá o seu consumo estimulado por meio do projeto.

A professora também relata que, durante o estudo, serão feitas avaliações para verificar o quanto de cada fruta pode ser extraída das áreas de vegetação nativa, para indicar formas de uso sustentável, e o perfil socioeconômico mais propenso para consumir. “Além disso, queremos saber se o fato de as pessoas saberem que a fruta é considerada ‘não convencional’ influencia na aceitação ou não. Se o nome Panc influencia de forma positiva ou negativa”, diz a pesquisadora ao considerar a “neofobia alimentar”, isto é, o fato de as pessoas possuírem uma aversão a consumir coisas novas.

Além da pesquisa, Patrícia Medeiros conta que outras iniciativas são promovidas pelo Laboratório de Ecologia, Conservação e Evolução Biocultural (Leceb), do qual ela é coordenadora, com o intuito de popularizar as Pancs, mostrando a relevância de diversificar a dieta e consumir produtos de origem local.

No início deste ano, foi realizado um concurso culinário que premiou as melhores receitas com plantas alimentícias não convencionais. “Teve uma repercussão legal, sendo noticiada na TV aberta. Também estamos trabalhando em vídeos de divulgação”, informa.

Equipe do grupo Leceb, coordenado pela professora Patrícia Medeiros.

Mais sobre o prêmio

A professora Patrícia Medeiros vai receber uma bolsa de pesquisa no valor de 15 mil euros do Prêmio 2020 International Rising Talents L’Oréal – Unesco. “Também iríamos fazer um treinamento e receber o prêmio em Paris, mas, devido à pandemia de coronavírus, a cerimônia foi cancelada e as vencedoras deste ano receberão o prêmio e farão o curso no ano que vem, com as vencedoras da próxima edição”, informa.

A pesquisadora declara que esse reconhecimento internacional “tem sido um divisor de águas na carreira”, proporcionando mais espaço para falar sobre plantas com alto valor nutritivo, mas que são desconhecidas do público. “Tenho conseguido mais espaço para divulgar as Pancs e a etnobotânica, o campo científico que eu estudo, além de estabelecer novas parcerias de pesquisa”, afirma.

Fonte: Ascom da Ufal

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