Spray nasal contra a depressão Saúde

segunda-feira, 23 novembro 2020

Desenvolvido com participação de equipes do Hupes/UFBA, spray de ação rápida contra depressão recebe aval da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Ansvisa) autorizou nesta semana um medicamento em forma de spray nasal e com ação quase imediata para tratar pacientes com depressões graves. As pesquisas para desenvolvimento do fármaco contaram com a participação fundamental do Serviço de Psiquiatria do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos da UFBA, administrado pela Ebserh (Hupes-UFBA/Ebserh). As pesquisas foram patrocinadas pela Janssen, empresa farmacêutica da Johnson & Johnson.

O remédio — Spravato — tem como base a molécula escetamina. O princípio ativo tem relação com a cetamina, um medicamento usado em doses elevadas em anestesias. O Serviço de Psiquiatria do Hupes, que desenvolve pesquisas com a cetamina e seus derivados há quase uma década, teve papel de destaque nas pesquisas que resultaram na aprovação da escetamina intranasal pelas agências regulatórias do Brasil, EUA e Europa.

A comunidade científica internacional reconhece a cetamina e seus derivados como uma das maiores revoluções em saúde mental das últimas décadas. Várias ramificações das pesquisas conduzidas no Hupes dizem respeito à tentativa de encontrar formas de cetamina acessíveis economicamente e com melhor tolerabilidade para o paciente.

Além de já ter beneficiado centenas de pacientes, os resultados encontrados até o momento pelo grupo de pesquisa coordenado pelo psiquiatra e professor da UFBA Lucas Quarantini vêm sendo apresentados em congressos nacionais e internacionais e em revistas especializadas.

Quarantini salienta que o medicamento até o momento é indicado somente para pacientes com depressão grave ou que já apresentaram falhas em tratamentos prévios ou estão em risco de suicídio. “Este medicamento preencheu ainda a lacuna que existia pelo fato de que nenhum antidepressivo começava a atuar em menos de 15 dias, após se atingir a dose terapêutica mínima. Com a cetamina e seus derivados se inaugurou uma nova classe de medicamentos: a de antidepressivos de ação rápida”, explica o psiquiatra.

Fonte: Boletim Edgar Digital/UFBA

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