A gasolina de cada dia Ciência Nordestina

terça-feira, 19 junho 2018

A greve de caminhoneiros foi educativa nos aspectos político, social, científico. Precisamos de ciência para consolidar as fontes alternativas de energia

stop
a vida parou
ou foi o automóvel? (Carlos Drummond de Andrade)

A última greve de caminhoneiros no Brasil foi educativa em diversos aspectos: político, social, científico… Trataremos desta última variável, em particular, da necessidade das fontes alternativas de energia e de nossa dependência extrema com o petróleo.

No entanto, permitam-me ao menos neste parágrafo alinhavar algo que precisa ser dito: nestes dias em que o Brasil parou ficou claro o que o livre mercado tem a oferecer – a lei da oferta e da procura, que não se solidariza com os pacientes que agonizam no hospital. O livre mercado busca exclusivamente o lucro. Privatizar e entregar nas mãos do mercado tem destas coisas. Estejamos avisados!

Voltando ao tema: embora todos saibamos da escassez das fontes fósseis e que o petróleo tenha seus dias contados, continuamos a depender excessivamente da gasolina e diesel, ao ponto de ver o Brasil parar na última greve de caminhoneiros. Foi necessário paralisar as atividades em órgãos públicos e escolas. Acabaram os engarrafamentos, as ruas ficaram vazias. As prateleiras dos supermercados começaram a esvaziar e muitos entraram em desespero, temendo não só pela falta de gás de cozinha, mas também pela água e gêneros de primeira necessidade.

Em resumo, não estamos prontos para o último adeus ao petróleo. Como profetizara Drummond: “stop a vida parou ou foi o automóvel?” Paramos todos nós e nossa indústria. Precisamos reforçar a frota de veículos elétricos – torná-los financeiramente acessíveis à população, fazer com que os grandes centros urbanos estejam mais próximos/ sejam os centros produtores de alimentos (ver matéria – A nanotecnologia e a  fome no mundo) e reduzir nossa dependência com o petróleo.

Seria cômico – se não fosse trágico viver este caos petrolífero em um país que descobriu recentemente o pré-sal, mas que decidiu entregá-lo a preço de banana, para depois comprá-lo no preço que melhor convier ao mercado.

Sem gasolina, sem MCTI, com uma restrição de gastos para os próximos vinte anos que promete riscar nossa ciência do mapa…

Será que poderemos produzir nossos próprios automóveis elétricos, ou teremos de esperar uma liquidação de inverno no hemisfério norte para pegarmos uma ponta de estoque?

O governo estabeleceu que somos um mercado de consumidores. E os caminhoneiros mostraram que podemos ir além disto. Se foi ou não foi locaute, pouco importa. Neste ponto ficou evidente o quanto precisamos de ciência para nos livrar daquilo que nos destruirá tão logo acabe: o escasso petróleo.

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Leia o texto anterior: Engenharia no ensino fundamental

Helinando Oliveira

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