Astronomia e futebol #HojeÉDiadeCiência

sexta-feira, 15 junho 2018

O Sol e os planetas entram em campo para nos ajudar a compreender a posição que ocupam no espaço

Sabemos que os ingleses não inventaram o futebol (eles definiram suas regras, em 1863). Até hoje as verdadeiras origens desse jogo são alvo de controvérsias. Uma das muitas histórias, por exemplo, fala do antigo povo Celta, que com a chegada da primavera na Europa celebrava um ritual religioso em homenagem ao deus Sol. Isso incluía um curioso jogo que guarda semelhanças com o moderno futebol.

Um jogo solar

Eram duas equipes com doze jogadores cada, sendo uma formada apenas por homens casados e a outra somente por solteiros. Os jogadores deveriam mover uma bola feita de couro animal com volume considerável e cheia de lasca (por isso movida apenas com os pés) cada equipe procurando defender o seu lado.

Uma extremidade do campo ficava sempre do lado do Sol nascente e a outra no poente. O deslocamento do leste para o oeste, como o movimento aparente do Sol, representado pela bola, era um dos modos de cultuar o astro. Era a festa do jogo do deus Sol, celebrada até hoje em certas localidades do hemisfério Norte.

Aliás, mesmo o moderno futebol pode ser um bom pretexto para se aprender mais sobre Astronomia. O Sol, seu cortejo de planetas e mais os pequenos corpos que formam o cinturão de asteroides podem ser transportados para dentro de um campo de futebol a fim de que possamos compreender a posição que ocupam no espaço.

Planetas em campo

Imagine que você reduziu proporcionalmente o Sol, seus oito planetas regulares mais os anões Plutão e Ceres, de modo a caberem num campo de futebol oficial.

Para nossa escala funcionar o Sol vai ficar do tamanho de uma moeda de 1 Real. Naturalmente, os demais astros serão muito menores, mas não se preocupe com isso. Vamos imaginar que o Sol está na linha do gol e posicionar os demais integrantes desta nossa equipe planetária conforme suas distâncias médias deles ao Sol.

Embolados na pequena área ficam os quatro planetas rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte). Próximo à marca do pênalti encontramos o planeta anão Ceres e também as órbitas da maior parte dos asteroides.

O gigante Júpiter posiciona-se logo após a linha da grande área. O belo Saturno, com seus magníficos anéis, movimenta-se próximo à intermediária, enquanto o azul-esverdeado Urano fica quase no meio do campo. Netuno está lá do outro lado, atuando como zagueiro do pequenino Plutão.

Os jogadores se movimentam

Repare nas faixas desenhadas na lateral do campo. Elas representam as regiões que os planetas podem ocupar (pois suas órbitas não são circulares!) variando da distância mínima ao Sol (chamado periélio) até a máxima (afélio).

Note como Plutão tem seu periélio muito distante do afélio (o primeiro fica quase no meio do campo e o outro muito atrás da linha do gol). Isso porque sua órbita é uma elipse mais pronunciada.

Já planetas como a Terra e Vênus têm órbitas praticamente circulares, com pouca diferença entre periélio e afélio. É claro que na prática os planetas não se alinham dessa forma. Nosso modelo apenas ilustra as distâncias médias dos planetas em relação ao Sol.

Mas por meio desse modelo percebemos claramente que a disposição deles não é regular. Os gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno reclamam muito mais espaço ao seu redor (você é capaz de dizer por que?) diferentemente dos pequenos planetas rochosos, coladinhos ao Sol.

Repare noutro fato curioso: a faixa orbital de Plutão (a linha verde do lado esquerdo do campo) intercepta a faixa orbital de Netuno (marrom). É verdade! De tempos em tempos Plutão fica mais perto do Sol que Netuno.

Em nosso modelo em escala, cada metro de um campo de futebol oficial corresponde à cerca de 50 milhões de quilômetros no espaço. Pense nisso quando estiver vendo o próximo jogo da Copa. Mas é melhor não comentar com ninguém antes do jogo terminar…

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Leia o texto anterior: Auroras!

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José Roberto de Vasconcelos Costa

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