Ciência no interior do Brasil

terça-feira, 5 setembro 2017

Em sua estreia na coluna, Helinando Oliveira presta uma homenagem ao plano de interiorização das Universidades Federais brasileiras

Nesta primeira matéria da Coluna Ciência Nordestina prestaremos uma homenagem ao bem-sucedido plano de interiorização das Universidades Federais no Brasil, que levou conhecimento aos jovens que tinham por única opção migrar para as Universidades tradicionais – normalmente nas capitais. As novas Universidades vieram como forma de suprir dívidas seculares para com o povo do interior.

E este processo teve impulso recente em 2004, com a criação da Universidade Federal do Vale do São Francisco, em um tempo em que o doutorado era a etapa que precedia um tour pelas Universidades brasileiras na busca por bolsas de pós-doutorado (consequência da estagnação de novas vagas nas Universidades da era FHC).

A interiorização das Universidades no país no governo Lula representou uma quebra muito clara nesta tendência, ao mesmo tempo em que permitiu a consolidação das atividades de pesquisa nos diversos centros.

Mesmo nas instituições jovens (apesar do foco voltado à consolidação da infraestrutura para o ensino de graduação), o período dentre 2004 e 2012 foi extremamente favorável ao fomento a jovens pesquisadores, novos grupos de pesquisa assim como para grupos consolidados por todo o país.

Revolução científica

Ações como os Institutos do milênio, programas de apoio aos núcleos emergentes e de excelência (Pronem e Pronex), editais temáticos do CNPq, chamadas anuais da FINEP (projetos de infraestrutura – CT-Infra), editais universais regulares, institutos nacionais de ciência e tecnologias (INCTs) e o fortalecimento das fundações de amparo à pesquisa nos estados possibilitaram fluxo considerável de recursos e equiparam laboratórios de razoável nível de complexidade por todo o país, viabilizando a fixação de doutores e a capacitação de pessoal qualificado em locais com pouca ou nenhuma tradição científica. E assim desembarcaram no interior do país não apenas os desejados cursos de graduação, mas também bons laboratórios, que promoveram uma verdadeira revolução científica no interior do nordeste brasileiro.

Univasf: instalação causa impacto positivo na região

Ainda em 2004, a própria população do Vale do São Francisco não entendia claramente a importância de uma Universidade Federal em Petrolina/Juazeiro, associando a sua chegada com o aquecimento do mercado imobiliário. Como exemplo de quão impactante foi esta chegada, podemos citar o questionamento criado pelo primeiro Edital de bolsas de iniciação científica entre estudantes e professores. Nascia ali o embrião da cultura da pesquisa dentro da Univasf. 13 anos depois já é possível ver pesquisadores estrangeiros, bolsistas de pós-doutorado, doutorandos, mestrandos e graduandos fazendo ciência sob o sol do sertão nordestino.

O investimento em ciência e tecnologia demonstra ser dos mais seguros. Ele caracteriza o zelo que os governos dedicam para com o desenvolvimento de sua nação. E infelizmente a proporção deste cuidado varia de governo para governo. Saímos de um patamar extremamente favorável à ciência a um outro que mais se assemelha ao apocalipse (dentro de uma escala de poucos anos). Uma nação que deseja crescer pela produção da ciência não pode ser refém de governos e viver aos sopapos da política neoliberal. O vento virou e tudo parece cair em um poço sem fundo. Sem recursos para bolsas, sem investimentos, sem planos, sem projetos… O céu continua aberto e as mudas de talo fino (instituições novas, decorrentes do plano de expansão) não resistem a vendavais tão fortes. Nuvens carregadas e muita tempestade parecem surgir no céu. Será que esta chuva arrancará tudo e levará o esforço de toda uma geração? Quem poderá nos salvar de tamanha desgraça que surge no horizonte?

Saiba mais sobre o professor Helinando Oliveira.

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