Biodigestor residencial a baixo custo é criado em Alagoas Inovação

quinta-feira, 2 novembro 2017
Divulgação

Alunos da Ufal desenvolveram protótipo usando galão de água e pretendem reaproveitar alimentos para produzir biogás

Um projeto inovador de um biodigestor doméstico de baixo custo para tratamento de resíduos sólidos. Para concretizar a ideia, jovens alagoanos usaram um galão de 20 litros de água e o protótipo finalizado custou pouco mais de 100 reais. A ideia foi premiada durante a Feira do Empreendedor e agora será disseminada para uso caseiro e ajudar o meio ambiente e a auto sustentabilidade na cidade e no campo, em Alagoas.

O trabalho reúne três estudantes do segundo período de dois cursos: Murilo Lima e Anthony Matheus Cavalcante de Melo, de Engenharia Civil; e Aílton Luiz da Silva Andrade, de Engenharia da Produção. Todos são alunos do Campus do Sertão da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

O protótipo do biodigestor residencial de baixo custo será apresentado na disciplina de Seminário Integrador 2, da professora Aline Maria Nogueira Pereira, orientadora do projeto. Toda mão de obra para criação foi dos integrantes da equipe. Para isso, foi usado um galão de 20 litros de água e o protótipo finalizado custa em média R$ 140. No próximo dia 6 de novembro será feita uma demonstração da produção do biogás.

Da observação à ideia

A ideia do projeto do biodigestor surgiu durante a disciplina Seminário Integrador 1, no primeiro semestre, com o professor Ricardo Leão. Na ementa, a matéria tratava de um projeto de pesquisa voltado para a área da engenharia.

O trabalho dos alunos de Delmiro ficou em segundo lugar no concurso de ideias do projeto Em Ação, promovido pelo Sebrae e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado.

“Nosso projeto teve início após a visita de um dos integrantes da equipe ao complexo multiuso Camaragibe [em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife], que observou a utilização e o funcionamento de um biodigestor para tratar os resíduos gerados por um Shopping Center localizado no complexo e que trouxe a ideia para o meio acadêmico, no intuito de utilizar o biodigestor para o tratamento de resíduos do Restaurante Universitário do Campus Sertão”, diz Murilo Lima, que é o líder do projeto.

O restaurante em Delmiro ainda será ativado, mas a ideia é que, quando pronto, e com o equipamento, haverá menos impactos causados pelo seu funcionamento, além de tornar ele autossustentável. “Ou seja, poderá reaproveitar o possível desperdício de alimentos”, destaca.

Alunos foram premiados no projeto Em Ação.

Alternativa urbana e rural

Murilo lembra que o reaproveitamento é muito utilizada em países da Europa, como a Alemanha, e da África, como na Angola. Entretanto, essa potencialidade ainda não é explorada como deveria no Brasil. “O Brasil é um país com um alto índice de resíduos orgânicos. Devido à falta do descarte sustentável para esses resíduos, as consequências para o meio ambiente são perversas, como aumento do volume de matéria orgânica nos aterros sanitários, poluição do solo e água – quando o lixo é descartado de maneira inadequada em rios, lagos e mares – e, também, através das fezes de equinos e bovinos poluindo o ar”, afirma.

Para ele, o biodigestor é uma alternativa viável para limpar as cidades. “E através dessa limpeza é possível produzir o biogás, energia elétrica, térmica e veicular”, acrescenta, citando que ainda pode se produzir o biofertilizante do equipamento, “atingindo três áreas nas quais o mundo mais sofre atualmente, que são a economia verde, o desperdício de alimentos e as energias renováveis”.

“O biodigestor pode ajudar as pessoas da região, na limpeza da cidade, principalmente no pátio da feira livre, pois um dos grandes problemas da cidade de Delmiro Gouveia é a sujeira acumulada, principalmente, por resíduos orgânicos. Também pode beneficiar na geração do biogás, que é uma alternativa muito viável para donos de bares e restaurantes”, explica.

Para os criadores de gado, além de ajudar o meio ambiente, o biodigestor pode ajudar na limpeza da propriedade e economizar na compra de gás, utilizando o biogás para substituir o tradicional. O biofertilizante também pode ser utilizado como adubo”, complementou.

 

Redação com informações da Ascom/Ufal

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