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quinta-feira, 26 outubro 2017

No Dia C da Ciência, debate na UFRN pede apoio da sociedade para o fortalecimento do ensino e da pesquisa

Como conscientizar a sociedade da importância da ciência como fator de desenvolvimento? Para debater essa questão foi realizado um encontro no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), na tarde desta quarta (25), como parte das atividades do Dia C da Ciência na capital potiguar. A ideia foi mostrar como o apoio da sociedade é decisivo para a sobrevivência do ensino superior gratuito e de qualidade, e manutenção de um sistema nacional de pesquisa e inovação.

A reitora Ângela Paiva Cruz, da UFRN, abriu o evento lembrando que o Dia C da Ciência, em Natal, começou com a reunião ocorrida pela manhã com a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALRN, convocada pelo deputado Mineiro, presidente da Comissão. Ela ressaltou o foco do debate que se iniciava. “Queremos mostrar aqui a importância da ciência como fator de desenvolvimento para o país e fator para a melhoria da qualidade de vida. Todas as universidades do Brasil hoje, as instituições de ciência e tecnologia estão fazendo esse diálogo, esse esforço para junto com a sociedade trabalhar pelo financiamento a altura do que a sociedade brasileira precisa para a C&T”.

Dia C da Ciência e os rumos da pesquisa potiguar

A gestora da UFRN antecipou para os presentes que os palestrantes mostrariam os números que estão sendo cortados do financiamento da ciência e tecnologia, “algo tão essencial para o país”, segundo ela. De acordo com a reitora, não há nenhum país que está em pleno desenvolvimento, despontando no cenário econômico e no desenvolvimento social, que não tenha investido, inclusive num período de crise, em desenvolvimento científico e tecnológico. “Esta é a grande diferença, a marcada dos países que estão crescendo economicamente e socialmente”, afirmou.

Ângela Paiva Cruz fez um apelo para que todos se unam em torno da manutenção do financiamento da ciência e tecnologia no Brasil. “O Brasil está cometendo um grande equívoco, quando no seu contingenciamento corta quase 50% de um ministério que financia a ciência, a tecnologia, a inovação e agora as comunicações do país. Portanto, nós precisamos acordar e dialogar com a sociedade para que ela esteja ao nosso lado, mostrando que o que se faz numa universidade é tão importante quanto o alimento do café da manhã. É tão importante para quem entra num hospital e quer ciência de ponta. Na área de segurança, você quer conhecimento de ponta, pessoal qualificado, tecnologia. Todos nós queremos isso e a sociedade, as universidades precisam estar juntas para mostrar ao governo brasileiro que precisamos de um financiamento digno para um futuro sustentável”, ressaltou.

Professora Maria do Livramento Clementino

Por uma sociedade mobilizada

Participando como painelista, a professora Maria do Livramento Miranda Clementino, da UFRN, da área de Planejamento Urbano e Regional, pontuou em sua apresentação sobre a expansão recente da educação superior e educação profissional no país; a importância dos recursos públicos da educação, ciência tecnologia para o desenvolvimento das sociedades.

De acordo com a professora, a sociedade ainda não consegue enxergar o que a educação, a ciência e a tecnologia trazem para o país. “Trabalhar com ciência, tecnologia e inovação, a sociedade não vê isso de uma forma muito pragmática. É um problema na concepção da sociedade em geral por não ser algo muito imediato. É preciso que a sociedade consiga enxergar que a educação, a ciência e a tecnologia é o que traz ao Brasil o seu desenvolvimento, o seu futuro. No geral, a sociedade valoriza o que é imediato, o que mexe muito no seu bolso – a tarifa de transporte, o supermercado – e a ciência e tecnologia fica como se fosse algo muito distante”, explicou.

A partir de agora, segundo ela, a tarefa dos professores e pesquisadores é fazer com que a sociedade enxergue o que a universidade, a ciência e a tecnologia fazem. “Temos que aproveitar esse momento, já que temos [professores e pesquisadores] uma percepção mais ampla e talvez mais aprofundada do problema. Na cultura do brasileiro há incutido que a promoção social no Brasil é fundamentalmente dependente da educação. No nordeste essa é uma visão muito presente em todas as famílias, é tradição dizer “eu posso não deixar rendas para o futuro dos meus filhos, mas eu deixando o estudo, eles serão alguém um dia”. Nós que fazemos a universidade, que temos uma concepção da importância disso, devemos aproveitar e passar essa mensagem para a sociedade de modo que ela se mobilize e se levante”, alertou.

Professor João Emanuel de Oliveira

Universidades ameaçadas

Em sua participação o professor João Emanuel Evangelista de Oliveira do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRN mostrou de quanto foi o corte nos recursos das universidades. Um comparativo entre a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2017 e o Projeto da Lei Orçamentária Anual de 2018 (PLOA) revela que o orçamento para os investimentos passou de R$ 1.515.419.47 para pouco mais de 208.694.201 reais, enquanto o custeio, esse caiu 0,44%. De acordo com o professor, somente os recursos com pessoal terá um aumento de 5,02%.

Oliveira apontou a “grande mídia conservadora” como um dos entraves para a sensibilização da sociedade sobre os cortes e a falta de recursos. “Na verdade há um cerco midiático muito grande. O discurso que chega à sociedade é o discurso do governo, que é um discurso coincidente com os interesses da grande mídia conservadora, que são interesses em geral antinacionais, ou seja, defender hoje a ciência e tecnologia é defender a soberania nacional. Não há nenhum país soberano sem desenvolvimento de ciência, tecnologia e formação de profissionais de qualidade. Na verdade, há um grande silêncio na mídia, só há uma voz que chega na sociedade. Então, essa luta hoje é para que a sociedade entenda que lutar por uma universidade de qualidade, por recursos para ciência e tecnologia, não é algo que atenda a interesses exclusivos de professores, técnicos ou de alunos, mas é algo fundamentalmente que vai afetar a qualidade de vida dos cidadãos”.

Edna Ferreira

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