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Quarta, 16 de Agosto de 2017

Quinta, 10 de Agosto de 2017

Uso de georreferenciamento

Continue lendo sobre o trabalho dos pesquisadores da Embrapa

A equipe da Embrapa Gestão Territorial mapeou as regiões de condições ótimas e marginais de temperatura e umidade para a praga se estabelecer. O grupo também calculou a distância dessas regiões para o Vale do São Francisco e analisou as possíveis vias de dispersão da praga.

“Uma das maiores contribuições desse trabalho é subsidiar o trabalho de fiscalização do Ministério da Agricultura, que pode utilizá-lo para efetuar ações específicas voltadas à mosca-da-carambola no Vale do São Francisco”, considera Rafael Mingoti, analista da Embrapa Gestão Territorial que participou do projeto. “Sem esse estudo, a fiscalização agropecuária não tinha embasamento científico adicional para promover ações de contenção dessa praga nessa região”, comenta.

Para Mingoti, os resultados também reforçam a importância de manter a praga restrita às regiões onde hoje se encontra. “A dispersão da mosca implicaria pesados prejuízos às exportações brasileiras de fruta”, alerta.

Ameaça real à fruticultura

A mosca-da-carambola é uma das espécies de insetos-praga de maior significância para a fruticultura por prejudicar a produtividade e diminuir a qualidade dos frutos. Para a pesquisadora da Embrapa Jeanne Prado, coautora do estudo, o programa oficial de retenção da praga nas áreas já atacadas tem apresentado grande sucesso e torna-se imprescindível para minimizar impactos e evitar a dispersão.

“A entrada da praga em novas áreas, principalmente naquelas com grande concentração de hospedeiros, como manga, acerola e goiaba, seria altamente impactante. Por isso, manter as ações do Mapa, por meio do Programa de Erradicação é fundamental,” ressaltou ela.

As áreas consideradas pelo Mapa como de alto risco para disseminação do inseto-praga estão situadas nos estados do Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará e Roraima. As de risco médio se situam no Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins. Os demais estados são considerados de baixo risco. Contudo, como o estudo apontou potencial de adaptação nos dois perímetros irrigados analisados do Semiárido, novos trabalhos devem ser conduzidos para avaliar possíveis riscos em outras áreas do bioma, no intuito de se conhecer o potencial de adaptação da praga em grandes áreas produtoras de frutas, o que seria desastroso, de acordo com a análise dos especialistas.

Na região produtora da Bacia do Vale do Rio São Francisco, não priorizada como alto e médio risco pelo Mapa, encontram-se 32 perímetros irrigados, situados em Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Geridos pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), esses perímetros totalizam 150 mil hectares irrigados, distribuídos em lotes de agricultores familiares (15.476 ha), empresas (1.232 ha) e programas/projetos do governo (43 ha).

Em 2014, a produção agrícola desses perímetros foi de 2,62 milhões de toneladas, principalmente frutas – totalizando R$ 1,6 bilhão em recursos. Além do impacto econômico, é possível estimar o efeito social resultante, caso a praga se disperse além da atual área de contenção. Como agravante, Bebedouro está próximo ao perímetro irrigado Senador Nilo Coelho, aproximadamente cerca de 30 km. Neste último, existem grandes áreas contínuas de fruteiras irrigadas hospedeiras da praga. “Por essa razão, estudos preventivos mais detalhados sobre essa e outras pragas quarentenárias, fazendo uso de dados locais, foram previstos ou estão sendo conduzidos em áreas de irrigação por aspersão convencional ou microaspersão, visando auxiliar o Mapa na detecção de quais dessas áreas podem vir a necessitar de priorização para monitoramentos”, esclarece Luiz Alexandre Sá, coautor do trabalho.

Mais de duas décadas de monitoramento

A coordenadora do Programa Nacional de Erradicação da Mosca-da-Carambola (PNEMC), Maria Julia Signoretti Godoy, lembra o estudo de Viabilidade Econômica da Erradicação da mosca-da-carambola na América do Sul, implementado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 1995. O estudo demonstrou os potenciais danos econômicos e ambientais que a mosca pode causar no Brasil, podendo atingir US$ 30,8 milhões no primeiro ano e US$ 92,4 milhões no terceiro ano, em caso de dispersão, considerando-se valores da época do estudo.

No estudo norte-americano, os danos ambientais referem-se aos possíveis ataques a plantas nativas da Floresta Amazônica, impactando na biodiversidade, causados pelos efeitos nocivos da utilização de controle químico. Segundo o USDA, cada dólar investido na erradicação da praga gera benefícios marginais entre US$ 65 a US$88. Maria Godoy ressalta que o estudo da Embrapa reforça o conceito de que a prevenção é a melhor e mais barata forma de controlar a praga.


“O Mapa vem controlando a praga nos últimos 21 anos no Amapá e sete anos em Roraima prevenindo a sua entrada nas demais 24 unidades da federação, e mais especificamente naqueles estados produtores e exportadores de manga, citros, goiaba, carambola e acerola,” frisa a coordenadora.

Ela explica que ações de retenção da praga, como pulverizações, técnica de aniquilamento de machos, coletas de frutos, mantêm o inseto no Amapá e protegem o Munícipio de Almeirim (PA), localizado na divisa do Amapá, Pará e baixo Amazonas.

Ações de controle

“A prevenção, vigilância nas unidades da federação sem ocorrência da praga e ações corretivas de controle com vistas à erradicação e fiscalização do trânsito de hospedeiros em locais onde a praga foi detectada são a garantia de qualidade dos produtos no mercado interno e a das exportações da fruticultura, atividade que possui área plantada em torno de 2,5 milhões de hectares e representa cerca de cinco milhões de empregos diretos e indiretos,” ressalta Godoy.

De acordo com a coordenadora do Programa, dos 5.570 municípios brasileiros, somente 21 têm a presença da mosca-da-carambola. O principal requisito fitossanitário para abertura de novos mercados e para as atuais exportações de frutas brasileiras é a ausência do inseto nas regiões de produção.

"Esse trabalho da Embrapa é fundamental e contribui com as ações realizadas no controle e monitoramento", afirma Maria Julia Godoy, justificando que a pesquisa identifica áreas de potencial perigo para o estabelecimento da mosca-da-carambola e demonstra, com clareza, a relação custo-benefício das ações de monitoramento e controle ao mostrar que elas resultam na proteção da fruticultura nacional. Outro fruto do trabalho científico é a sensibilização das autoridades que analisam o orçamento da União no sentido de mostrar que recursos empregados nessas ações são de grande importância para a manutenção da fruticultura e para a continuidade da luta contra a praga. “Entendemos que as pesquisas são vitais, pois apoiam as ações de defesa agropecuária do País,” conclui.

Confira o estudo completo.


Redação, com informações da Ascom/Embrapa

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