O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, registrando um aumento de 91%. É o que aponta o último Boletim InfoGripe da Fiocruz. Este ano, até o momento, o número de casos tem sido consideravelmente maior do que o observado nos dois últimos anos. A influenza A e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) têm causado o maior número de hospitalizações por SRAG, que seguem aumentando em boa parte do país.
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Apenas em alguns estados (Acre, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo) e no Distrito Federal, o estudo já começa a verificar um sinal de interrupção do crescimento ou início de diminuição de casos. No entanto, a incidência de hospitalizações por SRAG nessas regiões continua muito elevada. A análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 23, de 1º a 7 de junho.
Rio Grande do Norte

No Rio Grande do Norte, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) está recomendando aos municípios potiguares que realizem estratégias de busca ativa da população, em especial os públicos-alvo prioritários, que ainda não tomaram a vacina contra a gripe. De acordo com a secretaria, a medida é necessária para ampliar a cobertura de proteção contra a doença, que hoje está pouco acima de 43% entre os grupos prioritários (gestantes, idosos e crianças entre 6 meses e 6 anos) no estado.
Mesmo sendo a segunda melhor cobertura do Nordeste e a oitava do Brasil, o nível de vacinação no RN ainda preocupa. As doenças respiratórias são hoje a terceira causa de internação em leitos SUS no estado – a primeira em leitos pediátricos – e até o momento foram registrados nove óbitos por gripe no estado.
Por isso, a Sesap reforça a importância dos municípios, que operam a vacinação na ponta, realizarem o trabalho sensibilização da população quanto a importância da proteção pela vacina, em especial quanto aos grupos mais suscetíveis às complicações, internações e mortalidade ocasionadas pela gripe. Vale ressaltar ainda que a vacina atualmente está sendo oferecida para toda a população potiguar.
O Programa Estadual de Imunização reforça a orientação de que quem ainda não recebeu a sua dose contra a gripe neste ano, procure a unidade básica de saúde mais próxima de sua residência para se vacinar.
A vacinação contra a gripe em 2025 iniciou oficialmente a partir de 7 de abril, tendo seu dia “D” de mobilização em 10 de maio. Até o momento, o RN aplicou 678.382 doses de vacina contra a gripe.
Situação no Nordeste
O boletim da Fiocruz constatou a manutenção do crescimento de influenza A na maior parte dos estados das regiões Centro-Sul e Nordeste, e em parte da região Norte, com níveis de incidência variando de moderado a muito alto. Jovens, adultos e idosos são as populações mais afetadas. No entanto, já há sinais de interrupção do aumento ou início de queda nos casos, especialmente entre os idosos, no Norte (Amazonas, Pará, Tocantins) e no Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul), embora esses estados ainda apresentem patamares elevados de incidência.
Os casos de SRAG em crianças pequenas, associados ao VSR, também seguem em crescimento na maior parte do país. Contudo, já é possível observar sinais de interrupção do aumento ou início da queda em alguns estados do Centro-Oeste (Distrito Federal e Goiás, Sudeste (São Paulo e Espírito Santo) e no Norte (Acre). Ainda assim, os níveis seguem elevados nessas regiões.
Sete estados nordestinos apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo. São essas: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Somente Piauí e Sergipe estão fora dessa lista.
A atualização também verificou que algumas capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (Sergipe), João Pessoa (Paraíba), Maceió (Alagoas), Natal (Rio Grande do Norte), Salvador (Bahia) e São Luís (Maranhão).
Os casos de SRAG em crianças de 2 até 4 anos seguem em crescimento nas cidades de Aracaju (Sergipe), João Pessoa (Paraíba), Maceió (Alagoas) e Salvador (Bahia).
Em relação aos idosos, observa-se um aumento em Aracaju, João Pessoa e Maceió. Além disso, Aracaju, João Pessoa, Maceió e São Luís também apresentam tendência de crescimento na população de jovens e adultos.
Influenza A
Pesquisadora do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e do InfoGripe, Tatiana Portella destaca a influenza A que têm causado o maior número de casos de SRAG no país, afetando todas as faixas etárias, mas com maior impacto nos idosos. Além disso, o VSR também tem contribuído para a alta de casos de SRAG no país, sendo este a principal causa de hospitalização de crianças pequenas.
“Por isso, a gente reforça a importância da vacinação contra a gripe. Essa é a principal forma de prevenir casos graves e óbitos da doença. Com uma boa cobertura vacinal, conseguimos diminuir esse número de hospitalizações no país”, afirma a pesquisadora. Portella também recomenda etiqueta respiratória em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado, além do uso de máscaras dentro de postos de saúde e locais fechados com muita aglomeração de pessoas.
Especificações
Em todo o país, em 2025, já foram notificados 93.779 casos de SRAG, sendo 47.343 (50,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 32.264 (34,4%) negativos, e ao menos 7.893 (8,4%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, 24,5% são influenza A; 1,1% são influenza B; 45,1% são VSR; 22,3% são rinovírus; e 9,9% são Sars-CoV-2 (Covid-19). Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 40% para influenza A; 0,8% para influenza B; 45,5% para vírus sincicial respiratório; 16,6% para rinovírus; e 1,6% para Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos nesse mesmo período foi de 75,4% para influenza A; 1% para influenza B; 12,5% para VSR; 8,7% para rinovírus; e 4,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
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