O tempo pode ser o mesmo para um mesmo relógio, já na vida das pessoas… E no mês de dezembro, então… Tudo é confraternização, compras, comidas e mais festas… É definitivamente um tempo que pede férias. Só que a vida do pesquisador desconhece os dezembros. Os convites para revisar artigos não param e muito menos os prazos dos orientandos… Aquela revisão que está na revista há meses vai teimar e chegar na véspera do Natal e com prazo de resposta de sete dias… Aquela prestação de contas então… Tem aquela banca que acontece aos 45 do segundo tempo… E assim passa dezembro… E o mesmo para janeiro. Voltam às aulas e o sentimento é de que se trabalhou mais no recesso do que antes dele. E o cansaço não permite que se entenda que tudo começa novamente…
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Esta é a rotina do professor pesquisador que não compreende a importância das férias. Ele trabalha para publicar e bater os seus próprios índices. Ele luta contra seus limites até chegar ao seu próprio limite. E isso pode levar a adoecimentos e episódios ainda piores.
Ora, se o pesquisador é um ser humano, um trabalhador como outro qualquer, por que teria de abrir mão do próprio direito às férias? Seria ela, a ciência, algo tão inebriante que retira do cientista a própria capacidade de viver fora do laboratório?
Esta não é a primeira matéria que escrevo sobre o tema nesta longeva coluna. (Férias, elas existem mesmo?) Em comum, era dezembro, sempre ele. Esse período rebelde que pede um fim para dar espaço a um novo começo, por mais que seja o mesmo.
A receita para fugir do produtivismo escravizante parece simples. E não é. Pois requer que usemos a negação. Dizer não aos convites de editores e pedir prorrogações de resposta quando necessário… Desligar o zap, sair das redes sociais, ficar incomunicável.
Ir a uma praia deserta, sumir…. Talvez não seja possível resistir a uma semana de sumiço cibernético. Porém, a tentativa, em si, já é um grito de liberdade.
Antes de sermos cientistas, somos gente. E como gente, merecemos uma pausa nessa correria louca. Até porque precisaremos voltar a correr daqui a pouco.
Dezembro e suas festas, obrigado.
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Helinando Oliveira é físico, professor titular da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e atualmente é vice presidente da Academia Pernambucana de Ciência










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