Por definição, um grupo de pesquisa é um coletivo formado por pesquisadores e estudantes de pós-graduação e graduação, voltados a uma temática científica e/ou tecnológica, que segue uma sequência de linhas de pesquisa, buscando reunir a capacidade de todos os envolvidos rumo ao avanço em problemas complexos que só a multidisciplinaridade consegue abordar, por meio da sinergia de saberes.
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O conceito de grupo é extremamente valioso, uma vez organizado pelo Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP-CNPq), um sistema que permite que interações entre diferentes grupos ocorram em todo o país. Na prática, a dinâmica interna de cada grupo de pesquisa funciona como um organismo vivo e com dinâmica típica das corporações com estrutura hierarquizada.
Na maioria das estruturas dos grupos, no topo está o coordenador (líder do grupo), apoiado primariamente em suas atividades administrativas por bolsistas de pós-doutorado, que organizam a dinâmica laboratorial, interagindo com todo o grupo em suas demandas diárias. Ainda como parte da dinâmica, grupos de trabalho em temáticas comuns devem ser estruturados envolvendo estudantes de diferentes formações.
Competição
Os conflitos passam a ocorrer em diversas situações críticas, por exemplo, quando doutorandos acreditam orientar mestrandos, mestrandos acreditam orientar estudantes de IC e, o pior, quando os pós-docs deixam de apoiar o coordenador do grupo para se concentrarem em concursos.
Junto a tudo isso, o ambiente de competição e ego exacerbado de laboratório é um convite ao isolamento dos membros que focam em seus trabalhos e deixam de se apoiar mutuamente. Daí surgem conflitos pelas mais simples questões (uma chave que é guardada fora do lugar, uma vidraria suja que fica na bancada…).
No final, para gerenciar conflitos, o orientador está sempre à disposição, muitas vezes considerado o culpado por todos os insucessos da tese, como se tivesse na manga a solução para os problemas do mundo todo. E lá vai ele criar mais uma indisposição, criar traumas, se magoar…
Gerenciamento de conflitos
Parece uma pintura pessimista do processo, mas na vida real, no dia a dia, longe das luzes das redes sociais, é bem assim. É fato que estes problemas escalam com a dimensão do grupo. Já trabalhei em lugares em que o grupo tinha mais de 15 pós-docs, três secretárias; em outros, nem tanto. É fundamental para o coordenador de grupo entender o seu limite no gerenciamento de conflitos, pois, por mais proativos que sejam, a orientação requer atenção do orientador. E dividir este tempo de forma equitativa e saudável para todos é fundamental.
Aos estudantes, é óbvio dizer isso, mas o orientador é gente como qualquer um, ele se magoa quando você revira os olhos na reunião de grupo, esquece de agradecer ou coloca a culpa nele por seus problemas.
Enfim, nesta matéria, buscamos apenas alinhar a problematização do lidar com pessoal qualificado e as dores da academia. Soluções? Se alguém tiver, comente aí.
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Helinando Oliveira é físico, professor titular da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e atualmente é vice presidente da Academia Pernambucana de Ciência










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