(ilustração: Ralf KaehlerSLAC National Accelerator Laboratory - Agência Fapesp)

Pesquisadores da UFRN propõem novo método para detectar matéria escura

Embora corresponda a aproximadamente 27% do conteúdo do universo, instrumentos convencionais não conseguem detectar a matéria escura. Pesquisadores do Instituto Internacional de Física (IIF/UFRN) e do Departamento de Física Teórica e Experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (DFTE/UFRN) divulgaram um estudo que apresenta uma proposta inovadora para a detecção de sinais dessas partículas ainda desconhecidas. A notícia foi publicada no Portal da UFRN.

Considere contribuir com esse projeto de divulgação científica. Faça um pix para contato@nossaciencia.com

Os professores Farinaldo da Silva Queiroz, líder do grupo de Partículas e Astropartículas do IIF e docente do DFTE, e Manoel Silva de Vasconcelos, também do DFTE, conduziram o trabalho em parceria com o doutorando José Roberto Alves de Moura, do Programa de Pós-Graduação em Física (PPGF/UFRN). A pesquisa contou ainda com a colaboração de Manfred Lindner, diretor do Instituto Max Planck de Física Nuclear (MPIK). O estudo propõe a utilização de nano-ímãs moleculares como uma alternativa mais sensível aos métodos atuais para a detecção de fótons escuros e partículas do tipo áxion.

Inovação

Queiroz afirma que a proposta surge como resposta às limitações enfrentadas pelas abordagens experimentais atualmente empregadas. “A comunidade internacional tem buscado sinais de matéria escura por meio de vários aceleradores e detectores de grande porte, mas até agora não encontrou resultados conclusivos. O uso de nano-ímãs moleculares é inovador porque eles apresentam mais sensibilidade em uma certa região de massa”, destacou o pesquisador.

Os autores descrevem que, ao submeter esses nano-ímãs moleculares a um campo magnético externo, eles passam a um estado altamente sensível a excitações de energia muito baixa. Dessa forma, quando ocorre a interação com uma partícula de matéria escura, mesmo uma troca mínima de energia é suficiente para provocar uma avalanche magnética no material, gerando um sinal passível de detecção.

De acordo com o professor Manoel Vasconcelos, esse fenômeno só é possível devido às propriedades quânticas dos chamados ímãs de molécula única, que são sistemas altamente controláveis. “Utilizando metais como disprósio e manganês, podemos ajustar os níveis de energia com precisão, transformando interações extremamente fracas em sinais mensuráveis de matéria escura”, detalhou.

Ilustração do método de detecção de matéria escura proposto por professores da UFRN

Interdisciplinaridade

Além do avanço experimental, Vasconcelos destaca o caráter interdisciplinar da proposta, que aproxima a Física da Matéria Condensada da Física de Altas Energias. Ele reforça que essa convergência tem impulsionado diversos estudos interdisciplinares. Grupos de referência internacional, como os de Berkeley e Stanford, já atuam nessa interface. Temos várias ideias nesse sentido, e acredito que esse trabalho inicial possa inaugurar uma nova linha de pesquisa na instituição.

Por fim, os pesquisadores ressaltam que o objetivo não é substituir os detectores atualmente em funcionamento, mas estimular o desenvolvimento de novos experimentos e fomentar colaborações internacionais capazes de explorar propriedades da matéria escura que ainda não permitem investigação pelos métodos tradicionais.

Uma doação de R$ 10,00 já faz uma grande diferença! Nossa chave Pix é contato@nossaciencia.com