(Imagem: Freepik)

Peço licença aos leitores da Ciência Nordestina para escrever algo particular, compartilhado com a emoção de tantos outros pais que chegaram ao fim da maratona do ENEM/SISU neste dia 29 de janeiro de 2026.

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Sou de um tempo em que cada universidade organizava seu vestibular e divulgava os resultados nas paredes das escolas e nos jornais impressos. A resposta correta contava ponto e às vezes uma resposta errada eliminava uma resposta correta… Não existia Teoria de Resposta ao Item (TRI do ENEM) e era muito mais simples entender uma nota final do vestibular. Mas o tempo passa, certas coisas melhoram e outras definitivamente não parecem seguir pelo mesmo caminho.

Por exemplo, a decisão de aproveitar as três últimas notas do ENEM no SISU ficou estranha, principalmente por surgir no meio do jogo – o que inflacionou o ponto de corte e tensionou ainda mais a semana do SISU. Até mesmo a mudança na grade de correção, que busca punir a utilização de modelos de redação, introduz toques de aleatoriedade em um processo crítico, pois sabemos que é complexo avaliar 5 milhões de pessoas ao mesmo tempo… Só o tempo dirá se o aprimoramento da avaliação integrada seguirá ou se a tendência de cada universidade voltar a resolver sua seleção seguirá os moldes do passado.

Maratona

Todos estes são molhos de um tempero que podem traumatizar quem busca entrar pelas portas da universidade, típicos dos processos seletivos. O fato é que a ação de estudar, em si, em muito se aproxima de uma atividade de alto desempenho nos esportes, na qual o músculo a ser treinado é a massa cinzenta: o cérebro. Saber quando avançar e quando parar é algo sensível que requer o apoio e o incentivo de toda a família. E, tratando-se do maior evento da vida desses jovens de menos de 20 anos, é fundamental distribuir as emoções ao longo do tempo, evitando que tudo recaia no temido “terceirão”.

É fundamental praticar o ENEM como “treineiro”, estar habituado a passar 5 horas resolvendo provas e buscar estar preparado para além do ENEM – pois, como sabemos, “quem pode mais, pode menos”. E aí entram as medalhas das olimpíadas científicas. Hoje temos olimpíadas nacionais de matemática, português, biologia, astronomia, física, biotecnologia, oceano, química, história do Brasil, artes, literatura, entre outras que ainda não soube da existência.

Incentivar as crianças a começarem desde cedo a lutar por medalhas possibilita que o brilho das conquistas realce um aspecto fundamental: o conhecimento vai além do quadro e do livro-texto. A internet, para além de memes e vídeos inúteis, tem muito conteúdo que pode ser aproveitado por quem quer aprender sobre uma área. E é fato que, na busca para além da sala de aula, tem lugar um amadurecimento que, em muito, ajuda na etapa do vestibular.

Eletricidade dos neurônios

Venho de uma descendência de eletricistas (avô e pai) e trabalho com eletricidade desde os 14 anos quando escolhi também encarar os elétrons como parceiros em minha caminhada acadêmica. Imaginava que meu filho fosse seguir por este caminho canônico das exatas…Só que quis o destino (e suas olimpíadas) que ele gostasse tanto de física quanto de biologia. E para minha surpresa, ele decidiu que quer estudar a eletricidade dos neurônios. E passou em segundo lugar em medicina na Univasf (além da UPE) com 18 anos, na força dos estudos e no brilho das dezenas de medalhas olímpicas que acumulou até aqui.

Como professor de universidade pública, filho e neto de eletricistas que não concluíram o ensino médio, posso respirar e dizer que o legado de boa educação na família vai seguir… O pobre só conta com os estudos para seguir adiante na estrada da dignidade, pois os livros têm o poder mágico de mudar vidas. Acredite!

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Helinando Oliveira é físico, professor titular da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e atualmente é vice presidente da Academia Pernambucana de Ciência