O professor Arthur é um ícone. Eu não conheço ninguém mais entusiasmado por pesquisa e ensino em Física do que Arthur. Ele sempre foi assim. Arthur formou muita gente. Até os últimos dias, ele tinha muitos alunos — alunos de pós-graduação, orientandos. Realmente, foi uma das pessoas que deram muita visibilidade ao Departamento de Física, porque fez muitas pesquisas de extrema importância. Publicou muitos trabalhos interessantes, muito bem citados. Formou muita gente boa. E é isso que se espera de um acadêmico. (José Alzamir Pereira da Costa, professor titular da pós-graduação em Física da UERN)
Ele fez um trabalho significativo e deixou toda essa herança de um bom físico, de formação de pessoas e de contribuição para o fortalecimento da nossa universidade. Nós estamos aqui lamentando muito, porque ele ainda estava em plena atividade, contribuindo para esse arcabouço da área de magnetismo, do grupo aqui na UFRN. (Uílame Umbelino Gomes – ex-presidente da Fapern e pesquisador em Física da Matéria Consensada da UFRN)
As afirmações de dois importantes físicos que atuam na pós-graduação no Rio Grande do Norte dão a dimensão da perda humana e científica com a morte de Artur da Silva Carriço, ocorrida nesta segunda-feira (19), em Natal, em decorrência de complicações de um infarto intestinal no fim de semana.
Sistemas magnéticos
Professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Carriço teve atuação destacada na área de Física, com ênfase em Materiais Magnéticos, Propriedades Magnéticas e Aplicações, concentrando seus estudos principalmente em duas frentes.
A primeira envolvia fases e excitações de sistemas magnéticos nanoestruturados — como multicamadas magnéticas, filmes magnéticos finos e nanopartículas magnéticas, defeitos de interface, paredes de domínio, excitações de paredes de domínio, vórtices de nanoelementos ferromagnéticos, efeito magnetocalórico e histerese térmica — incluindo patente de invenção no desenvolvimento de sistemas para hipertermia magnética.
A segunda área abrangia aplicações biomédicas de sistemas magnéticos, como formulações de antibióticos para vetorização magnética, com patentes de invenção de sistemas micrométricos para o combate a infecções por Helicobacter pylori e sistemas nanométricos para vetorização magnética intravenosa de antibióticos contra infecções por Staphylococcus aureus.
Patentes
Responsável por diversas patentes, Artur Carriço era líder do Grupo de Magnetismo e Materiais Magnéticos, que reúne pesquisadores dos departamentos de Física, Farmácia e Medicina da UFRN.
Matéria publicada em 2021 no Portal da UFRN informou que um grupo de cientistas, conduzido por Carriço, obteve a patente de um sistema de micropartículas magnéticas capaz de transportar antibióticos, otimizando o tratamento de infecções por Helicobacter pylori (H. pylori) no trato gastrointestinal e possibilitando a atuação concentrada do medicamento no local da doença.
A bactéria H. pylori é responsável pelo surgimento de muitas úlceras pépticas, além de alguns tipos de gastrite e câncer de estômago.
Na ocasião, o cientista explicou que o sistema magnético é constituído por micropartículas polimerizadas contendo quantidades controláveis de antibióticos e nanopartículas magnéticas de magnetita.
Segundo ele, além de concentrar o fármaco administrado no local da infecção — reduzindo a quantidade necessária para atingir a concentração inibitória mínima da bactéria — a vetorização magnética também diminui os efeitos colaterais, uma vez que o medicamento é impedido de alcançar outras partes do corpo.
Homenagem da UERN
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) publicou nota de pesar pela perda do pesquisador, que era docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Física (PPGF) da instituição.
“Artur foi uma importante referência da ciência brasileira, com trajetória marcada por contribuições relevantes para o avanço da pesquisa, da formação de recursos humanos e do fortalecimento do sistema de pós-graduação regional. Sua atuação extrapolou fronteiras institucionais, impactando diretamente a consolidação de programas acadêmicos em diversas regiões do país”, afirma a nota.
Na UERN, sua contribuição foi significativa para o desenvolvimento e a qualificação da pós-graduação. Em reconhecimento, recebeu o título de Professor Honoris Causa da instituição.
Em 2025, Artur Carriço completou 75 anos e afastou-se das atividades na UFRN. Ele deixa a esposa, Ana Dantas, professora do Departamento de Física da UERN, e os filhos Fernando, Luciana e Rodrigo.










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