
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram uma nova tecnologia aplicada ao setor da construção civil. O dispositivo patenteado consiste na utilização de resíduos industriais para a fabricação de tijolos ecológicos, unindo eficiência técnica, baixo custo e sustentabilidade.
A invenção integra a linha de pesquisas conduzida no Laboratório de Propriedades Físicas de Materiais Cerâmicos (LAPFIMC), apresentando resultados expressivos em ensaios de resistência mecânica e durabilidade. A notícia é do Portal da UFRN.
O produto é fabricado a partir da cinza do bagaço da cana-de-açúcar (CBC), coletada na Usina de Monte Alegre, em Mamanguape (PB), cidade que divide os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, e do resíduo cerâmico (RC), utilizados como aditivos pozolânicos. Esses materiais, quando combinados ao solo, cimento ou cal, formam tijolos maciços ou vazados, que podem ser aplicados em alvenaria sem fins estruturais. O diferencial está na reação química entre os resíduos e os aglomerantes, que melhora as propriedades cimentantes e torna o produto mais resistente.
Resistência
O inventor da tecnologia, João Batista Duarte explica que o tijolo ecológico atinge índices de resistência à compressão acima de 1 MPa e absorção de água inferior a 20%. Duarte é técnico aposentado do LAPFIMC.
Fruto de um trabalho coletivo, a patente tem o título Tijolos de Solo-aglomerante Maciços e Vazados produzidos a partir da Combinação de Cimento e/ou Cal, Cinza do Bagaço da Cana-de-Açúcar (CBC) e Resíduo Cerâmico (RC) com Adição de Água.
A equipe reuniu pesquisadores da UFRN e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), além do discente Leonardo do Nascimento Dias (IFPB), que atuou durante sua iniciação científica e teve orientação do professor Wilson Acchar, então responsável pelo LAPFIMC. Cada integrante teve papel essencial na execução dos experimentos e análises que resultaram no pedido de patente.
Os resultados laboratoriais comprovam a viabilidade técnica do produto. Com resistência à compressão simples superior à dos tijolos convencionais de solo-cimento e menor absorção de água. Além disso, o processo produtivo exige menor consumo de cimento e cal, reduzindo significativamente os custos de fabricação.
Solução ambiental
Além da inovação tecnológica, o uso de CBC e RC representa uma solução ambientalmente responsável. Esses resíduos, antes descartados em grande volume, agora encontram um destino útil, reduzindo o impacto ambiental causado por seu acúmulo.
Vamberto Monteiro da Silva (IFPB), outro inventor afirma que do ponto de vista econômico, foi possível reduzir o uso de aglomerantes sem comprometer a qualidade. Além disso, os resíduos tiveram destinação diferente. De outra forma, esse material iria para descarte de maneira inadequada. Ele destaca ainda que a pesquisa se insere no esforço global por práticas construtivas mais sustentáveis e compatíveis com a preservação dos recursos naturais.
Durante o processo de desenvolvimento, os pesquisadores construíram protótipos em escala reduzida para testar a aplicação prática dos tijolos. As estruturas simulavam pequenas edificações, como casinhas para animais de estimação, permitindo a comparação do desempenho dos novos tijolos com os convencionais sob a ação da chuva, do vento e de variações de temperatura. Os resultaram indicaram que o material atende plenamente às exigências técnicas, o que reforça sua viabilidade para uso real.
Após o processo de patenteamento, os pesquisadores buscarão a divulgação e a conscientização do setor produtivo da indústria da construção civil. O objetivo é ampliar a fabricação desses tijolos em escala industrial.
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