(Foto: Viktor Braga / UFC)

Melhoramento para o suco de caju

Uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Ceará revelou novas alternativas para melhorar a qualidade do suco de caju, bebida bastante consumida no Nordeste. Apesar de ser rico em vitamina C e antioxidantes, o produto ainda enfrenta rejeição de alguns consumidores por causa da forte adstringência, sensação popularmente conhecida como “boca travada”. O estudo buscou tecnologias capazes de diminuir esse efeito sem prejudicar as características naturais da bebida. A informação é da Agência UFC.

Os testes foram desenvolvidos nos departamentos de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos da UFC e analisaram três métodos não térmicos: ultrassom, plasma por descarga luminescente e plasma por descarga de barreira dielétrica. De acordo com o pesquisador Fabiano André Narciso Fernandes, um dos principais resultados foi que os tratamentos conseguiram não apenas preservar, mas também ampliar a disponibilidade de compostos antioxidantes no suco. Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico científico Journal of Food Measurement and Characterization.

Quebrar moléculas

Os experimentos apontaram redução de até 79% nos taninos, substâncias responsáveis pela adstringência, além de um aumento de 67% nos compostos fenólicos totais, conhecidos pelo potencial antioxidante e pelos benefícios à saúde.

Segundo os pesquisadores, essas tecnologias ajudam a quebrar moléculas maiores presentes no suco, liberando compostos menores e mais fáceis de serem absorvidos pelo organismo. O tratamento também intensifica a percepção de doçura natural da bebida, já que o uso do plasma aumentou a concentração de açúcares simples, como glicose e frutose.

Outro benefício importante é a preservação de nutrientes sensíveis ao calor, especialmente a vitamina C, que costuma sofrer perdas em processos industriais tradicionais, como a pasteurização.

Aplicação industrial

A diminuição dos taninos também melhora a experiência sensorial. Com menos adstringência, o suco passa a apresentar textura mais suave e aveludada, reduzindo a sensação áspera na boca que muitas vezes afasta os consumidores. Além disso, as tecnologias avaliadas mantêm a cor viva e o aspecto natural da fruta fresca.

Os pesquisadores destacam ainda que o processo pode ser adaptado para diferentes variedades de caju, incluindo o caju anão e o comum, ampliando as possibilidades de aplicação industrial.

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