A Educação que precisamos aprender Empreendedorismo Inovador

quarta-feira, 25 julho 2018
(Foto: Google)

Em sua coluna de estreia, o professor Gláucio Brandão sugere que a educação brasileira seja motivada por causas e por solução de problemas: Ciência com Modelo de Negócios

Embora Nelson Rodrigues afirmasse que “Toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”, em termos de Educação Brasileira, estamos a ponto de quebrar tal corolário: talvez esta “senhora caduca” esteja perto de se tornar um conceito unânime, embora negativo. Quando observamos os índices do último Programme for International Student Assessment (PISA), realizado em 2016, encontramos um Brasil descendo ladeira abaixo, nas últimas dez posições entre os 70 países avaliados. Nossas notas: Ciências (63º) e Matemática (65º). Em Leitura, alcançamos a modesta 59ª posição. Quando olhamos para o nosso impacto do ponto de vista no Desenvolvimento de Tecnologia e Comunicação Mundial, vou abreviar por IDTCM, alcançamos o 66º lugar. Para completar o quadro com outra vertente, na qual embasarei minha provocação titular, angariamos o 64º quando se fala em inovação mundial. Por fim, vamos ao El País para olhar o índice GINI, e encontramos o Brasil entre os 10 países mais desiguais do mundo. Observem a numerologia cabalística: estamos rodando em torno do número 60 no que diz respeito à Educação, Tecnologia e Inovação, quando somos avaliados entre os 70 melhores IDH do planeta, e na rabeira no que diz respeito à desigualdade social. Somos os 10 piores no conjunto Educação-Tecnologia-Inovação, e os 10 piores na questão de qualidade de vida.  Será essa uma condição astrológica ou de causa-efeito?

É sabido que a Economia e a Educação andam de mãos dadas. Não é segredo que cidadãos melhores formados indicam líderes melhores e, por consequência, recebem melhores respostas do Estado, o que conduz estes países a ciclos virtuosos, ou próximo disto. Então, onde estamos errando? Inegavelmente nas escolhas de nossos dirigentes, é claro! Mas não é só isso. Existem coisas que podemos fazer independentemente do Estado, embora este seja o grande definidor das políticas sociais. Podemos, e devemos, mudar nossa postura, de somente reativa para proativa, e, no meu caso, faço isso “cutucando” a senhora caduca da melhor maneira que se pode: dando a ela a batuta empreendedora! Hummm: novos termos! E novas rusgas! E novas questões ideológicas!

Muitos se levantarão e questionarão: teremos que desenvolver habilidades e competências empresariais em nossos pupilos? Vamos ter que incentivar a concorrência desmedida entre pares? Temos que acabar com as áreas filosóficas e humanas e pensar só em produzir? Esse seria o pensamento unânime, mas incorreto! O que se pretende aqui é sugerir uma educação motivada por causas, por solução de problemas, em que aqueles que queiram resolver, por exemplo, problemas sociais, terão de pensar primeiro, planejar na sequência e executar como fechamento de um ciclo, o que eu chamo de Ciência com Modelo de Negócios. Negócios na melhor acepção da palavra. Resolver questões como pessoas em situação de rua, miséria, moradia, agrotóxicos e desempregos, entre outros, exigem formação ampla, mas também empreendedora. Discutir em sala de aula apenas as ideologias passadas ou presentes ‘é bonito’, mas só resolve as broncas do ponto de vista filosófico, deixando os menos preparados para executarem aquilo cabia a nós. Não que aqueles tenham má vontade, mas porque não tiveram a chance de conhecer os fundamentos da melhor maneira possível, de forma a executarem tarefas com baixa eficiência. Mesmo os doutos convencionais, que costumam mencionar que “Faço a Ciência pela Ciência” – o que nos dá o país do número cabalístico que citei – transforma nossa Ciência em “entreguista”: gastamos muito para desenvolver e a entregamos de graça, sem a devida proteção, para que outros a utilizem como remuneração… própria! Temos que proteger o que desenvolvemos, mesmo que seja para doar, mas que, nesse caso, impeçamos os outros de lucrarem com esforço e investimentos alheios. Produzir Ciência é caro, e se esta é entregue de mãos beijada, incalculável. Temos vários exemplos disto.

Uma proposta de solução. O que devemos fazer então? Surge aí outro termo; novo, pelo menos no meio acadêmico. Se já sugeriu-se a Educação Empreendedora, que tal adoçarmos mais ainda com um outro termo: INOVADORA? Então propõe-se o que, Educação Empreendedora Inovadora? É muito para alguns parágrafos, e para uma educação acostumada ao método professor-lousa-exposição-tarefa-correção, aquela propagada pelos filósofos, que acontece desde 400 a.C. Sim, é isso mesmo. A única coisa constante que temos na vida são as mudanças (alguém falou isso!). A palavra INOVADORA vem do fato de que precisamos fazer com que nossa educação, já admitindo empreendedora pelos acertos acima, chegue à sociedade. Não basta ser uma educação que pense a solução de mazelas ou criação de mercado: ela tem de sair dos muros das Escolas. Agora ficou claro o que se propõe lá em cima: comecemos pela mudança de postura em sala de aula, nos planos de disciplina. Coloquemos a vertente empreendedora em nossa postura e o viés inovador em nossas ações. Garanto que em menos de uma geração teremos um novo Brasil no qual tudo isso acontecerá, porque daremos uma coisa importante aos nossos alunos: objetivo de vida!

Veja a entrevista com o professor Gláucio Brandão.

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Gláucio Brandão

12 respostas para “A Educação que precisamos aprender”

  1. Mário Gomes disse:

    O nobre professor está tentando juntar um tipo de visão capitalista com socialista da educação e do mercado em si e isso são coisas impossível de se juntar por serem incompatível.

    • Gláucio Bezerra Brandão disse:

      Saudações Mário!
      Obrigado pelo comentário.
      Não me refiro a qualquer modelo de sociedade, mas apenas um novo pensar sobre a educação. Vivemos em um sistema capitalista, que foi aquele que sobreviveu. Desde o início da humanidade, quando éramos coletores-caçadores, que temos que acumular para sobreviver. Não mudamos muito. Assim, o capitalismo nos é natural. Aquele que não se mexe, vira comida.
      Minha intenção é de mudarmos o que está muito errado. Nessa linha, prefiro tentar o impossível e chamar isso de inovação. Deixo o “batismo” do sistema para os doutos conhecedores das ciências humanas e sociais.
      Grande abraço,
      Gláucio.

    • Costa Barros disse:

      Realmente não vi essa “visão capitalista com socialista da educação”.
      Creio apenas que é uma proposta de mudança de postura que o nosso País precisa, independente de teorias ideologias, partindo para o desenvolvimento do empreendedorismo, que pode gerar empregos ainda continuar financiando o ensino público de qualidade.
      Temos inúmeros exemplos de grandes realizações que muitos diziam ser impossível.
      Só nos resta apoiar a iniciativa do Prof. Gláucio.

      • Gláucio Bezerra Brandão disse:

        Saudações meu ilustre colega!
        A inciativa é de todos que pensam como nós: um mundo sustentado pela criatividade, produção, empregabilidade e honestidade!
        Obrigado pelo apoio.
        Grande abraço.

  2. ANGELO disse:

    Sinceramente eu acho que a questão do empreendedorismo hoje em dia virou outro nome para CAPITALISMO SELVAGEM. É um vale tudo que faz com que as pessoas vivam em eterna competição. Numa epoca em que se vive querendo uma condição igualitaria, onde as pessoas se amem mais e sejam mais solidarias umas com as outras, essa coisa de competição acirrada, de apologia a competição nao está com nada. Acho sim que precisa se repensar a questao do empreendedorismo de forma sustentavel e com mais humanização em todos os aspectos. O que passar disso é baboseira de quem tem muita teoria mas jamais conseguira transformar essa teoria em pratica.

    • Gláucio Bezerra Brandão disse:

      Caro Angelo, saudações!
      Empreendedorismo tem outro significado, o qual você pode encontrar em bons dicionários. A questão à qual você se refere, não diz respeito à selvageria, mas sim à corrupção. O capitalismo é o sistema vigorante, mas claro que precisa de refino. Sempre! Veja os melhores países do mundo e descreva qual o sistema que ‘roda’ por lá. Embora você cite o excesso de teoria, criei a primeira incubadora funcional da UFRN. Essa ação, tocada pelas outras cinco incubadoras que ajudei a estruturar, já levou ao surgimento de mais 100 iniciativas empreendedoras, as quais geraram vários empregos. No meu entender, emprego é o melhor programa social que conheço. Os empreendedores são oriundos de todas as classes.
      Sim: não sou teórico. Sou engenheiro eletrônico, professor e gestor de uma incubadora. Sempre coloco minhas ideias para andar por conta própria.
      Mas estou sempre à disposição para testar e ouvir novas ideias. Fique à vontade para compartilhá-las conosco.
      Grande abraço.

      • Mário Gomes disse:

        Você não está de todo errado professor mas precisa abaixar a sede por inovação e procurar entender a sociedade e os movimentos sociais q não aguentam esse discurso capitalista no sentido mais selvagem q existe. Esse seu caminho das pedras por acaso tem empregado a mão de obra pobre que vive na periferia do desenvolvimento? Eu acho que o volume de $ que o empreendedorismo consome não tem dado o retorno q a sociedade precisa. O Gov Lula deu atenção ao empreendedorismo mas com freio para não transformar nisso que estão querendo transformar a sociedade, que nada mais é do que tirar emprego e iludir pessoas com promessa de que qualquer um pode ser empresário. Tem que rever isso professor

        • Gláucio Bezerra Brandão disse:

          Saudações Mario!
          Cada um na sociedade pode e deve emitir sua opinião. A minha é a de que o melhor programa social é o emprego. assim, estou fazendo algo a respeito disto. Prefiro errar do que me omitir. Para termos empregos é necessário existir indústrias. Não vejo outro caminho.
          E, além do mais, recomendo que veja os conceitos empreendedor e empresários. Não são sinônimos!
          Grande abraço.

  3. Pablo Lima disse:

    Quando se vê agentes da educação criticando o que considero como avanço que foi o Marco Legal da inovação, dizendo que transformariam as universidades em balcões de negócios… Me pergunto, será mesmo que tem jeito? Enquanto esses agentes não se desgrudarem de partidos e ideologias, especialmente as ideologias que pregam que tudo deve ficar no Estado, nada sobrando para o mercado e os empreendedores, não haverá mudança…

    • Gláucio Bezerra Brandão disse:

      Saudações, prezado Pablo!
      A mudança já está acontecendo. Vivemos tempos em que a maioria das universidades possuem incubadoras. Isso era impensável há alguns anos atrás.
      Continuemos o bom trabalho.
      Grande abraço.

  4. JOFRAN CARVALHO disse:

    voces capitalistas estao acabando com o que restou desse pais com essa historia de transformar todo mundo em empreendedor sem analisar as consequencias. Tudo hoje e empreendedorismo e os servicos basicos estao sendo deixados de lado, no qual o lucro esta acima de tudo e de todos. Ciro Gomes tem falado que se eleito vai pegar mais pesado com esses capitalistas obcecado pelo lucro que usam o empreendedor para torrarem muito dinheiro enquanto que o beneficio pro povo e nulo ou seja o custo beneficio nao vale a pena. quero ver o pobre se beneficiando de tanto dinheiro que o pais aplica no empreendedorismo e so classe media e alta e quem ganaham e nao venham com conversa fiada de que sou leigo porque muitos ai so entendem de ganhar dinheiro e nao deixam beneficio pra sociedade. Tomara que o novo presidente seja um homem voltado pro social e nao pra esse sistema capitalista desleal e peverso

    • Gláucio Bezerra Brandão disse:

      Saudações Jofran!
      Não entendi bem a sua crítica, já que foi mais política do que pragmática.
      Você me acusa de capitalista, não sei porque, critica e não aponta soluções.
      Mistura corrupção com o sistema político em vigor. Você prefere qual sistema?
      Bom, estou dando a minha contribuição. Quais são as suas?
      Cordialmente,
      Gláucio

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