Caatinga e semiárido na pesquisa brasileira Destruição Criativa

sexta-feira, 5 junho 2020
Foto: Seagri

Artigo analisa o quadro da pesquisa na região semiárida brasileira

Nos próximos textos que serão publicados na coluna “Destruição Criativa” abordaremos a pesquisa incrementada pelas Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) com foco no Semiárido Brasileiro. Partindo dessa perspectiva, o propósito é chamar atenção para a importância dos Grupos de Pesquisa nessas ICTs, que promovem pesquisas e gerem conhecimentos, com profundas implicações socioeconômicas no bioma caatinga que se desenvolve no semiárido brasileiro.

Recorremos à Base de Dados Corrente do Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para buscar os Grupos de Pesquisa com a característica assinalada acima. Por meio de consulta realizada no dia 23/05/2020 investigamos a dimensão desses grupos utilizando as palavras-chave, que dão conta da mesma realidade: Semiárido, Semi-Árido e Caatinga, conforme estratégia de busca desenhada no quadro abaixo:

A pesquisa, revelada no gráfico abaixo, apresenta a seguinte situação em relação aos termos investigados: de um total de 188 Grupos de Pesquisa relacionado aos termos, 148 Grupos de Pesquisa utilizam a palavra Semiárido como parte do nome do grupo, 18 Grupos de Pesquisa fazem uso da palavra Semi-Árido e 22 Grupos de Pesquisa empregam o termo Caatinga em sua identificação. Todas os Grupos de Pesquisa tratam da mesma realidade.

São dez os estados da federação que ocupam a extensão total do Semiárido: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Abrange toda região nordestina e parte do estado de Minas Gerais.

O segundo gráfico mostra a distribuição dos Grupos de Pesquisa por estados da federação que ocupam a extensão do Semiárido brasileiro. Em ordem decrescente, temos o estado de Pernambuco com 37 Grupos de Pesquisa, seguido pela Paraíba com 36 Grupos de Pesquisa, Rio Grande do Norte com 33 Grupos de Pesquisa, Ceará com 31 Grupos de Pesquisa, Bahia participa com 21 Grupos de Pesquisa, Piauí e Minas Gerais (região sudeste) com 11 Grupos cada, Alagoas com 6 Grupos de Pesquisa e Sergipe com um único Grupo de Pesquisa. O Estado do Maranhão não registra nenhum Grupo de Pesquisa relacionado com o tema. A região Centro-Oeste cataloga no DGP-CNPq um Grupo de Pesquisa.

 

Por último, o terceiro gráfico, mostra que associado a base técnico-científica do Semiárido Brasileiro, composta de 188 Grupos de Pesquisa registrados na Base Corrente DGP-CNPq, 23/05/2020, abriga 302 Linhas de Pesquisa com potencial de estimular a produção e disseminação de novos conhecimentos e práticas inovadoras para o desenvolvimento sustentável da região.  Exibe 184 Linhas de Pesquisa com o termo Semiárido, 59 Linhas de Pesquisa carregam a palavra Semi-Árido e outras 59 Linhas de Pesquisa são identificadas com o bioma caatinga.

A dimensão revelada nas Instituições  de Ciência e Tecnologia através dos Grupos de Pesquisa registrados na Base Corrente DGP-CNPq, em particular, as localizadas no Nordeste, constroem uma grande base técnico-científica com o objetivo de fortalecer a pesquisa e gerar conhecimentos uteis para o desenvolvimento sustentável do Semiárido Brasileiro, envolvendo ao todo 188 Grupos de Pesquisa e 302 Linhas de Pesquisa.

Nos próximos textos analisaremos a diversificação dessa base de pesquisa por grandes áreas de conhecimento, identificaremos habilidades e competências científicas e tecnológicas nos mais diversos campos profissionalizantes do saber e, por último, o capital intelectual envolvido com essa base de conhecimento.

Nessa perspectiva, é importante o olhar de Friedrich List ao enfatizar o impacto do conhecimento acumulado no desenvolvimento econômico de um país, que nos permita estender para uma região:

“A condição de um país é resultante da acumulação de todas as descobertas, invenções, melhoramentos, aperfeiçoamentos e esforços de todas as gerações que viveram antes de nós: isso forma o capital intelectual da raça humana”

A coluna Destruição Criativa é atualizada quinzenalmente às quintas-feiras. Gostou da coluna? Do assunto? Quer sugerir algum tema? Queremos saber sua opinião. Estamos no Facebook (nossaciencia), Twitter (nossaciencia), Instagram (nossaciencia) e temos email (redacao@nossaciencia.com.br). Use a hashtag #DestruiçãoCriativaNossaCiência.

Leia outro texto dos mesmos autores: Há espaços para novas competências produtivas no Nordeste brasileiro?

Vaneide Ferreira Lopes é pesquisadora e Líder do Grupo Inovação, Tecnologia e Projetos na Paraiba (GiTecPB) e Carlos Alberto da Silva é professor titular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Líder do Laboratório de Pesquisas em Economia Aplicada e Engenharia de Produção (Lapea).

Vaneide Ferreira Lopes e Carlos Alberto da Silva

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