Coronavírus e a ciência brasileira Ciência Nordestina

terça-feira, 10 março 2020

Mesmo com a falta de investimento, sucateamento e cortes, ciência brasileira surpreende e faz sequenciamento genético do Covid-19 em tempo recorde

Já dizia um velho ditado: “só se atiram pedras em árvores carregadas de frutas”. Todos acompanham o ataque que a ciência brasileira vem sofrendo nos últimos tempos: falta de investimento, corte de bolsas, sucateamento. Mas mesmo assim a árvore da ciência brasileira ainda está de pé – cheia de frutos para dar.

E o fruto mais recente foi tornado público quando equipes do Instituto Adolpho Lutz e Instituto de Medicina Tropical, em parceria com a Universidade de Oxford decodificaram o RNA do vírus coronavírus Covid-19 (material genético do vírus disposto em mais de 29 mil bases) em tempo recorde: enquanto a média de tempo para o sequenciamento é de 15 dias, os brasileiros fizeram a atividade em incríveis dois dias – antes mesmo da Itália sequenciar (o primeiro caso de coronavírus no país teria sido de um cidadão vindo da Itália).

A equipe fez uso de uma tecnologia portátil e barata para o sequenciamento, que é uma etapa fundamental para entender diversos aspectos do sistema, tais como origens e evolução, o que permite com que se estabeleçam estratégias para desenvolvimento de vacinas.

Além disto, o acompanhamento de mutações do vírus, que necessariamente afetam a natureza do antígeno utilizado nas vacinas é outro fator importante que é mapeado. Os dados já estão à disposição no portal virological.org e se unem aos diferentes genomas do Covid-19 sequenciados ao redor do mundo – até o dia 02 de março foram sequenciados 255 genomas do novo coronavírus em 23 diferentes países. E a contribuição de nossa ciência está lá disponível. É do Brasil.

Este exemplo escancara de maneira forte e irrefutável a importância das bolsas (uma das pesquisadoras é bolsista de pós-doc), do investimento em ciência e o mais importante: da capacidade de nosso povo em resolver nossos problemas.

Para os menos informados parece ser atraente a onda da imbecilidade coletiva, que vem pelo terraplanismo, o movimento anti-vacinas, o complexo de vira-lata… Só que quando a coisa fica feia e aperta… Quando o coronavírus chega perto de nossas casas é a ela que temos de recorrer. Vem ciência, vem salvar este país.

Referência:

Portal virological.org

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Helinando Oliveira é Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) desde 2004 e coordenador do Laboratório de Espectroscopia de Impedância e Materiais Orgânicos (LEIMO).

Helinando Oliveira

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