Sementes crioulas: cultivando saberes e tradições O Mundo que queremos

sexta-feira, 11 junho 2021
Sementes crioulas. Foto: Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (SEDRAF)

Os agricultores familiares mantém a tradição milenar da seleção natural de sementes que constitui, desde muito tempo, um insumo elementar para a produção de alimento

As mudanças estruturais ocorridas na agricultura a partir da revolução verde, na década de 1960, nos colocaram frente a um novo modelo de produção agrícola denominado agricultura moderna, caracterizada pelo uso intensivo de insumos industriais, mecanização, tecnologias de plantio, irrigação e colheita e, ainda, o uso de sementes geneticamente alteradas – as sementes híbridas. Apesar dos elevados rendimentos, a agricultura industrial sofre ameaças ambientais devido aos problemas da mudança climática, perdas da biodiversidade, qualidade dos solos e da água.

Apesar da revolução verde, a agricultura praticada em pequenas propriedades rurais do território brasileiro, por famílias que têm na natureza sua principal fonte de renda (agricultores, silvicultores, aquicultores, extrativistas, pescadores etc.) mantem as suas tradições, realizando as atividades agrícolas partir do seu conhecimento empírico considerando a relação do homem com a natureza. Entre outros princípios conservacionistas, os agricultores familiares, especialmente os que praticam a agroecologia, mantém a tradição milenar da seleção natural de sementes que constitui, desde muito tempo, um insumo elementar para a produção de alimento.

Guardião de sementes_Agricultor familiar do Vale do Apodi, RN.

Estas sementes são conhecidas por semente crioulas ou nativas, isto é, não sofrem modificações genética, sendo úteis para preservação da diversidade genética na reprodução sexuada das espécies vegetais cultivadas em áreas de produção familiar camponesa – primordial para o desenvolvimento da agricultura, soberania alimentar e manutenção da agrobiodiversidade. Além disso, as sementes crioulas evitar a dependência de insumos externos à unidade de produção que descaracteriza agroecologia praticada pelos camponeses.

As sementes crioulas, tradicionalmente cultivado pelas comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhos, caboclos etc., geralmente, não sofreram modificações por meio de técnicas de melhoramento genético. É importante destacar que, a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) desenvolve ações para o fortalecimento dos bancos de sementes com a participação dos atores sociais – guardiões de sementes – com o apoia e assistência técnicas das Organizações Não Governamentais e Agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural.

Plantação de milho. Foto: SEDRAF.

Os bancos de sementes são a principal estratégia de conservação e multiplicação das sementes crioulas, mantendo a diversidade e as tradições – a cultura do guardar.

Apesar do importante trabalho dos guardiões de sementes, muitas variedades de crioulas sofrem ameaças de contaminação por transgênicos, especialmente aquelas de polinização cruzadas como, por exemplo, o cultivo de com sementes transgênicas podem contaminar os campos de cultivos de sementes crioulas.

As sementes crioulas não representam apenas uma fonte de alimentos para a segurança alimentar das famílias, elas são patrimônios genéticos, evitam a erosão genéticas de espécies – banco de germoplasma e, constitui-se em um modo de vidas das comunidades tradicionais.

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Nildo da Silva Dias é Professor Associado da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa).

Nildo da Silva Dias

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